Portugal no nível máximo de risco para vírus Chikungunya, alerta relatório europeu

Novo relatório europeu alerta que transmissão pode ocorrer com temperaturas mais baixas do que se pensava. País está entre os de maior risco no sul da Europa.
Portugal no nível máximo de risco para vírus Chikungunya, alerta relatório europeu

Portugal, embora não tenha ainda registado qualquer caso de infeção, está entre os países europeus com maior risco de transmissão do vírus Chikungunya, segundo um novo relatório que alerta para o impacto da subida das temperaturas e das alterações climáticas na propagação de doenças transmitidas por mosquitos.

O estudo revela que, ao contrário de pesquisas anteriores que indicavam que o mínimo necessário para a transmissão do vírus era entre 16 e 18 graus Celsius, agora bastam temperaturas entre 13 e 14 graus para que o contágio seja possível. Este novo limiar aumenta significativamente a área potencialmente exposta, incluindo território português.

O vírus Chikungunya, uma doença tropical transmitida por mosquitos e que provoca dores intensas nas articulações, representa uma “ameaça à saúde na Europa maior do que se pensava anteriormente”, segundo o relatório publicado na revista científica The Royal Society.

O alerta para esta “nova fase” foi também reforçado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, que associa o aumento do risco às alterações climáticas que têm vindo a potenciar o crescimento das infeções transmitidas por mosquitos. Recorde-se que o primeiro surto conhecido foi reportado em 1952, na Tanzânia.

Atualmente, o Chikungunya tem impacto na saúde pública de mais de 110 países na Ásia, África, Europa e América. Investigadores alertam para o risco de surtos locais na Europa e para períodos de transmissão mais longos do que se julgava anteriormente.

Portugal entre os países do sul com risco elevado

Os especialistas elaboraram uma escala com três níveis de risco: elevado, moderado e baixo. Portugal surge enquadrado no nível mais elevado, juntamente com outros países do sul da Europa como Espanha, Itália, Grécia e Malta.

O estudo sublinha que o risco é menor nas regiões mais a norte e noroeste do continente, mas alerta que cerca de 50% da área geográfica da Europa é agora mais suscetível à transmissão durante os meses quentes, sobretudo em julho e agosto.

Em 2025 foram registados números recorde de surtos locais de Chikungunya em França e Itália. Os investigadores destacam ainda a presença do mosquito-tigre, Aedes albopictus, associado também ao aumento de casos de dengue nesses países. Devido ao rápido aquecimento na Europa, este inseto está gradualmente a expandir-se para norte.

Perante este cenário, os especialistas defendem o reforço da vigilância e a identificação dos locais específicos de maior risco, para permitir a implementação de medidas de prevenção mais eficazes e reduzir o escalamento de surtos.

Sintomas e sinais de alerta do vírus Chikungunya

O vírus Chikungunya provoca uma infeção que pode surgir poucos dias após a picada do mosquito infetado. Embora raramente seja fatal, pode causar sintomas intensos e incapacitantes, sobretudo ao nível das articulações, exigindo vigilância médica em determinados casos.

Sintomas mais comuns:

  • Febre súbita e elevada

  • Dores intensas nas articulações, especialmente mãos, pés, joelhos e tornozelos

  • Dores musculares

  • Dor de cabeça

  • Cansaço extremo

  • Erupções cutâneas

Sinais de alerta que exigem avaliação médica:

  • Dor articular persistente durante semanas ou meses

  • Dificuldade em movimentar-se devido às dores

  • Sinais de desidratação

  • Agravamento do estado geral em idosos, crianças ou pessoas com doenças crónicas

Em alguns casos, as dores articulares podem prolongar-se por longos períodos, afetando significativamente a qualidade de vida.

 

Como prevenir a infeção e reduzir o risco de transmissão

A prevenção continua a ser a principal forma de proteção contra o vírus, sobretudo em países identificados como de maior risco. A redução do contacto com mosquitos é fundamental, especialmente durante os meses mais quentes.

Medidas de proteção individual:

  • Utilizar repelente de insetos adequado

  • Usar roupa clara que cubra braços e pernas

  • Aplicar redes mosquiteiras em janelas e camas

  • Evitar zonas com águas paradas

Medidas de prevenção comunitária:

  • Eliminar recipientes com água acumulada onde os mosquitos se possam reproduzir

  • Reforçar a vigilância sanitária em zonas identificadas como de maior risco

  • Promover campanhas de sensibilização pública

Especialistas sublinham que a identificação precoce de casos e a rápida implementação de medidas de controlo são essenciais para evitar surtos locais e limitar a propagação do vírus.