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Portugal foi o país da União Europeia onde entraram mais imigrantes na última década. Entre 2012 e 2023, o número de entradas registou uma taxa média de crescimento anual de 34,3%, muito acima da média europeia de 8,8%.
Os dados constam de uma nova plataforma interactiva lançada pela Pordata, que traça um retrato comparativo dos 27 Estados-membros da UE em áreas como população, economia, rendimentos, energia e ambiente.
Portugal à frente nas entradas, mas não nos residentes
Apesar da liderança nas entradas, Portugal surge apenas na 12.ª posição no que toca à percentagem de população estrangeira residente. Atualmente, 9,6% dos residentes em território nacional são estrangeiros, um valor distante dos 47,3% registados no Luxemburgo, o país da UE com maior proporção de estrangeiros.
Logo atrás de Portugal no ritmo de crescimento das entradas estão a Estónia (30,3%) e a Lituânia (30,2%).
Um país envelhecido e com menos famílias com crianças
O retrato demográfico revela também que Portugal é o segundo país mais envelhecido da UE, apenas atrás da Itália. Existem 53 jovens por cada 100 idosos. Em contraste, a Irlanda, o país mais jovem da União, regista 122 jovens por cada 100 idosos.
A estrutura familiar também mudou: apenas 25,6% dos agregados familiares em Portugal têm crianças, menos 6,8 pontos percentuais do que em 2011. A Eslováquia lidera neste indicador, com 35,6% de famílias com filhos.
Escolaridade: atraso histórico, nova geração aproxima-se da média europeia
Portugal continua a ser o país da UE com população ativa menos escolarizada. Quatro em cada 10 pessoas não têm o ensino secundário completo, um valor muito superior ao da Polónia ou da Lituânia, onde apenas uma em cada 10 não concluiu esse nível de ensino.
Ainda assim, há sinais de convergência geracional: entre os 25 e os 34 anos, 43,2% dos portugueses têm ensino superior, praticamente alinhado com a média europeia de 44,1%.
Cada vez mais pessoas vivem sozinhas
Outro fenómeno transversal à Europa é o aumento das pessoas que vivem sós. Entre 2011 e 2023, mais de 25 milhões de europeus passaram a viver sozinhos, uma subida de 28%.
Em Portugal, o crescimento foi ainda mais expressivo: mais 366 mil pessoas vivem sozinhas, um aumento próximo dos 50%.
A nova plataforma da Pordata foi lançada no âmbito das comemorações dos 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, em 1986, e permite analisar, de forma comparativa, a evolução do país face aos restantes parceiros europeus.