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Esta quinta-feira é o último dia de Portugal a usar os recursos naturais previstos para este ano. A partir de amanhã, o nosso país está a consumir "a crédito", de acordo com os dados da organização internacional "Global Footprint Network".
Isto significa que começaremos a utilizar mais recursos do que estariam disponíveis e que produzimos mais dióxido de carbono do que a natureza consegue absorver.
Embora continuemos a utilizar constantemente os "recursos do ano seguinte", há uma ligeira melhoria notada pela associação ambientalista Zero: no ano passado, Portugal esgotou os recursos a 5 de maio, dois dias mais cedo do que este ano, sinal de maior sustentabilidade, ainda que ligeira.
De qualquer forma, o país volta a exceder os recursos naturais previstos para um ano em apenas cinco meses. Isto significa que, se cada pessoa na Terra vivesse como um português (em média), a humanidade exigiria cerca de 2,9 planetas para sustentar as necessidades de recursos, de acordo com a associação, citada pela agência Lusa.
A mesma associação sublinha, em comunicado que a data da sobrecarga de 2026 é igual à de 2022 e 2023. Com a data deste ano, Portugal fica na média da União Europeia que, em 2026, esgotou os recursos no dia 3 de maio.
As contas da Global Footpring Network revelam que há países mais preocupantes, como o Luxemburgo, que esgotou os recursos logo no dia 17 de fevereiro. A nível mundial, pior está o Qatar que os esgotou no dia 4 de fevereiro.
Para animar a tabela, estão as Honduras, na América Central, que apenas atingem o nível de sobrecarga no dia 27 de novembro. Na Europa, países como a Alemanha, Grécia e Espanha estão à frente de Portugal, com a data de sobrecarga a 4 de junho.
A associação Zero revela ainda que o consumo e mobilidade têm das pegadas ecológicas mais fortes, apontando como medidas de sustentabilidade a "aposta numa agricultura que priorize a qualidade, a proteína vegetal ou a preservação dos solos e dos ecossistemas, a aposta no teletrabalho para reduzir deslocações e viagens, a aposta nos meios de transporte menos poluentes e públicos, e aposta na regulamentação para que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis".
De forma individual, deve adotar práticas como reduzir a proteína animal na sua alimentação, utilizar mais transportes públicos numa forma de mobilidade mais sustentável e consumir de forma mais circular, ou seja, evitar o "usar e deitar fora".