segunda-feira, 17 ago. 2026

Portugal escapa a nova "cúpula de calor" na Europa, mas chuva prevista não chega para travar a seca

Portugal deverá manter temperaturas abaixo da média e céu mais cinzento nos próximos dias, mas a chuva prevista será fraca e insuficiente para aliviar a seca meteorológica, alerta o climatologista Mário Marques. O especialista afasta uma nova onda de calor no país, pelo menos até ao final da terceira semana de julho.
Portugal escapa a nova "cúpula de calor" na Europa, mas chuva prevista não chega para travar a seca

Portugal deverá continuar com temperaturas abaixo da média sazonal durante os próximos dias, num cenário marcado por céu mais nublado e precipitação pouco significativa. Apesar de algumas previsões apontarem para chuva em várias regiões, os acumulados serão reduzidos e sem impacto relevante na seca meteorológica.

Segundo o climatologista Mário Marques, a precipitação, caso ocorra, será "muito localizada, muito esporádica e muito fraca", não existindo, para já, condições atmosféricas favoráveis à ocorrência de chuva persistente.

"Gostava de estar enganado", admitiu à CNN Portugal sublinhando que a situação continua preocupante devido ao défice de precipitação registado nos últimos meses.

Mário Marques recorda que Portugal atravessa um período prolongado de precipitação inferior ao normal, sobretudo desde o início de março.

De acordo com o climatologista, vários distritos encontram-se já em situação de seca meteorológica, consequência da escassez de chuva quer no número de dias com precipitação, quer na quantidade acumulada, especialmente durante os meses de março, abril e grande parte de maio.

Temperaturas abaixo da média até meados de julho

Apesar da ausência de chuva significativa, os próximos dias deverão trazer temperaturas mais amenas.

O especialista prevê que os termómetros permaneçam abaixo da média, sobretudo nas regiões Norte, enquanto no restante território os valores deverão manter-se próximos do habitual para a época do ano, pelo menos até 16 de julho.

Esta situação será influenciada por uma depressão localizada a oeste de Portugal Continental, responsável por um tempo mais cinzento e por uma ligeira descida das temperaturas.

Nova "cúpula de calor" deverá afetar outros países europeus

Enquanto Portugal deverá escapar, para já, a um novo episódio extremo de calor, o cenário poderá ser bastante diferente em vários países da Europa Ocidental.

Segundo Mário Marques, uma nova massa de ar quente poderá atingir o centro e oeste de Espanha, propagando-se posteriormente para França, Itália, Sardenha, Sicília, bem como para algumas regiões da Suíça e do Reino Unido.

Embora esta nova vaga de calor deva ser menos extensa do que a registada no final de junho, poderá voltar a atingir intensidade elevada, sobretudo na região do Mediterrâneo Central.

O que é uma "cúpula de calor"?

O climatologista explica que o fenómeno conhecido como "cúpula de calor" ocorre quando uma massa de ar muito quente, normalmente proveniente do Norte de África, fica bloqueada entre sistemas de baixa pressão.

Sem possibilidade de circulação, o ar quente permanece praticamente estacionário durante vários dias sobre uma vasta área, provocando temperaturas excecionalmente elevadas e persistentes.

Segundo Mário Marques, o mecanismo previsto para esta nova vaga de calor será semelhante ao observado no final de junho.

Portugal deverá escapar ao calor extremo nos próximos dias

Apesar das previsões para o restante continente europeu, o especialista considera pouco provável que Portugal seja afetado por uma nova onda de calor no curto prazo.

Até ao final da terceira semana de julho, o cenário mais provável aponta para pequenas oscilações térmicas, mas sem valores comparáveis aos registados durante o episódio extremo de calor do final de junho.

Ainda assim, o climatologista admite que a partir dos dias 23 ou 24 de julho a evolução das condições atmosféricas possa favorecer uma nova subida significativa das temperaturas, embora seja ainda cedo para confirmar esse cenário