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Portugal continua a assumir um papel de destaque no combate ao tráfico de cocaína na Europa. Em 2024, as autoridades nacionais apreenderam 23 toneladas desta droga e desmantelaram quatro laboratórios ligados ao seu processamento, segundo o mais recente relatório da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA).
Os números colocam Portugal entre os países europeus onde mais cocaína é processada e apreendida, num contexto em que as organizações criminosas recorrem a métodos cada vez mais sofisticados para introduzir a droga no mercado europeu.
Portugal no grupo dos principais centros de processamento
De acordo com o relatório, grandes quantidades de cocaína continuam a ser transformadas em território europeu a partir de produtos intermédios, como a pasta de cocaína. A atividade concentra-se sobretudo na Bélgica, Países Baixos, Espanha e Portugal.
Em 2024, foram identificados 42 locais ligados à produção ou transformação de cocaína na Europa. Quatro desses laboratórios foram desmantelados em Portugal.
Apreensões continuam em níveis elevados
No conjunto da União Europeia foram registadas cerca de 97 mil apreensões de cocaína, num total de 330 toneladas. Embora abaixo das 419 toneladas apreendidas em 2023, o valor mantém-se acima dos registados há poucos anos.
Espanha liderou a lista com 124 toneladas apreendidas, seguida de França, Bélgica, Países Baixos, Alemanha e Portugal, que surge na sexta posição com 23 toneladas.
Segundo a EUDA, a diminuição da quantidade total apreendida pode refletir alterações nas estratégias dos traficantes, que estarão a optar por remessas mais pequenas e rotas mais diversificadas para reduzir o risco de deteção.
Cocaína continua a preocupar autoridades
A agência europeia alerta que a produção de cocaína na América do Sul atingiu níveis históricos e que os indicadores recolhidos através da análise de águas residuais mostram um aumento do consumo em muitas cidades europeias.
Estima-se que cerca de 4,3 milhões de adultos europeus tenham consumido cocaína no último ano, consolidando-a como a segunda droga ilícita mais utilizada na Europa, atrás apenas da canábis.
O relatório refere ainda que a cocaína esteve associada a 1.133 mortes por overdose em 2024. Em Portugal, tal como em Espanha, Chipre, Luxemburgo e Malta, esta substância esteve envolvida na maioria das mortes por overdose registadas.