Portugal enfrenta uma escassez crítica de alojamento estudantil, com um défice estimado em 119 mil camas, numa altura em que o número de estudantes deslocados e internacionais continua a aumentar. A conclusão consta de um estudo da consultora imobiliária CBRE, que alerta para um desequilíbrio estrutural entre a oferta disponível e a procura crescente.
Segundo a análise, existem atualmente cerca de 227 mil estudantes que necessitam de alojamento especializado, entre alunos portugueses deslocados e estudantes internacionais. No entanto, a capacidade instalada das residências universitárias públicas e privadas ronda apenas as 28 mil camas, obrigando cerca de 119 mil estudantes a recorrer ao mercado de arrendamento tradicional.
A consultora, em comunicado enviado ao SOL, considera que esta situação continua a exercer uma forte pressão sobre o mercado residencial, contribuindo para a elevada procura de habitação nas principais cidades universitárias. Desde 2019, o segmento de alojamento estudantil especializado (PBSA – Purpose-Built Student Accommodation) atraiu cerca de 1,2 mil milhões de euros em investimento em Portugal, impulsionado quase exclusivamente por capital internacional.
Apesar de estarem previstas cerca de três mil novas camas até 2027, sobretudo em Lisboa e no Porto, a CBRE considera que este reforço será insuficiente para acompanhar o ritmo de crescimento da procura, mantendo Portugal entre os países europeus com menor cobertura neste segmento.
Citado no estudo, Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, afirma que o mercado nacional apresenta "fundamentos extremamente sólidos" e um elevado potencial de valorização, sustentado pela crescente procura de estudantes internacionais e pela escassez estrutural da oferta. O responsável sublinha ainda que os 1,2 mil milhões de euros investidos desde 2019 refletem a confiança dos investidores internacionais no mercado português.
Lisboa e Porto concentram oferta privada
A análise revela ainda que Portugal continua competitivo quando comparado com outros mercados europeus. As rendas medianas nas residências estudantis especializadas situam-se nos 855 euros mensais em Lisboa e nos 745 euros no Porto, valores inferiores aos praticados em cidades como Londres, Dublin, Milão ou Madrid.
O estudo identifica, contudo, fortes assimetrias regionais. Cerca de 90% da oferta privada concentra-se em Lisboa, Porto e Coimbra, enquanto distritos do interior, como Vila Real, Castelo Branco e Évora, apresentam elevadas taxas de estudantes deslocados, mas continuam com reduzida oferta de alojamento especializado.
A CBRE acrescenta que o mercado português tem vindo a registar um volume médio anual de investimento próximo dos 200 milhões de euros desde 2019, sendo 98% desse capital proveniente de investidores internacionais, sobretudo do Canadá, Bélgica e Estados Unidos.