O OnlyFans continua a afirmar-se como uma das plataformas digitais mais populares em Portugal, impulsionado por mudanças nos hábitos de consumo online e pela procura de conteúdos personalizados. Entre janeiro e novembro de 2024, os utilizadores portugueses gastaram cerca de 22 milhões de euros no serviço, um aumento de 12% face ao mesmo período do ano anterior, segundo estimativas divulgadas pelo jornal Expresso.
Apesar do volume financeiro elevado, a realidade é desigual para quem produz conteúdos. A maioria dos criadores obtém rendimentos modestos, e apenas uma pequena percentagem consegue transformar a atividade numa fonte principal de sustento.
A pandemia como motor da plataforma
Criado em 2016 com um foco inicial em criadores de várias áreas, o OnlyFans mudou de perfil a partir de 2020, durante a pandemia, tornando-se maioritariamente associado a conteúdos de natureza sexual. Desde então, o crescimento tem sido acentuado, tanto em número de utilizadores como em volume de receitas.
De acordo com dados internacionais, a plataforma passou de pouco mais de 13 milhões de utilizadores em 2019 para mais de 370 milhões em 2024, acompanhada por um aumento expressivo nos gastos globais.
Riscos e enquadramento legal
Especialistas alertam para riscos como assédio, extorsão, chantagem e divulgação não autorizada de conteúdos. Uma investigação internacional revelou, em 2024, vários casos de abuso associados à plataforma.
No plano legal, o OnlyFans é classificado na União Europeia como uma rede social, não sendo diretamente responsável pelos conteúdos publicados. Ainda assim, o Regulamento dos Serviços Digitais impõe regras de identificação e rastreabilidade, e a legislação portuguesa prevê mecanismos de investigação em casos de crime digital.