PJ usou a revogação de visto para capturar enfermeira acusada de esquartejar jovem no Algarve: as autoridades monitorizavam cada passo desde janeiro

O advogado de Mariana Fonseca diz que esta está "muito triste" por voltar a Portugal, mas que tem o apoio dos pais.
PJ usou a revogação de visto para capturar enfermeira acusada de esquartejar jovem no Algarve: as autoridades monitorizavam cada passo desde janeiro

A Polícia Judiciária sabia o paradeiro da enfermeira Mariana Fonseca, acusada de matar e esquartejar um jovem de 21 anos, no Algarve, em março de 2020, desde janeiro deste ano.

Mariana Fonseca foi apanhada depois de passar férias com a família. A PJ monitorizava já nessa altura as viagens do pai da suspeita, que comprou passagens para vários países da Europa antes de se dirigir ao destino final, de acordo com o Correio da Manhã.

A enfermeira terá saído da Tailândia para a Indonésia numa fuga que anunciou em vídeo onde assumia que se ausentaria de Portugal por considerar estar inocente da morte da qual é suspeita juntamente com Maria Malveiro, que morreu entretanto na prisão. No entanto, a Polícia Judiciária acompanhava toda a informação, nomeadamente mensagens e envio de documentação. Rapidamente, as autoridades descobriram as rotinas de Mariana, que esta não tinha um trabalho (fazia apenas alguns dias num café) e que teria um "novo amor".

Mariana estava sujeita a um mandado de captura emitido por Portugal desde julho. Apesar de Mariana Fonseca ter contratado dois advogados para a ajudarem no combate ao processo de deportação, as autoridades nunca o consideraram por saberem que o acordo de extradição não existia entre os dois países. Optaram, então, por outra via: revogar o visto de trabalho da enfermeira, operação que, de acordo com o mesmo jornal, demorou poucos dias.

Foi assim que nos primeiros dias de março deste ano, a Interpol cumpriu o mandado de captura em Jacarta, na Indonésia.

Mariana Fonseca já está em Portugal, na mesma cadeia onde cumpriu um ano de pena por homicídio na primeira instância, em Tires. Está no pavilhão onde estão as reclusas que praticaram crimes considerados muito violentos, nomeadamente Rosa Grilo, responsável pelo homicídio do marido.