A Polícia Judiciária desmantelou um alegado esquema de falsificação de receitas médicas que permitia comprar medicamentos comparticipados pelo Estado para posterior revenda no mercado paralelo. A operação, realizada no Grande Porto, culminou na detenção de quatro suspeitos, incluindo dois funcionários de um hospital privado da região Norte.
Em causa estão suspeitas da prática dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, numa investigação conduzida pela Diretoria do Norte da PJ que aponta para uma atividade criminosa desenvolvida, pelo menos, desde 2024.
Segundo a investigação, os suspeitos aproveitavam os acessos informáticos associados às suas funções, ou recorriam aos de terceiros, para emitir prescrições médicas fraudulentas. O objetivo passava por adquirir medicamentos comparticipados por vários sistemas de saúde e seguradoras, pagando apenas uma parte do seu valor.
Entre os fármacos obtidos desta forma encontram-se medicamentos destinados ao tratamento da diabetes e da obesidade, cuja procura tem aumentado significativamente nos últimos anos.
Depois de adquiridos, os medicamentos eram desviados para o mercado paralelo, onde eram vendidos com elevadas margens de lucro.
Para além do prejuízo económico causado ao Serviço Nacional de Saúde e às entidades seguradoras, a Polícia Judiciária alerta para os riscos que este tipo de esquema representa para a saúde pública, uma vez que facilita a automedicação e a utilização destes medicamentos sem qualquer acompanhamento médico.
Os quatro detidos têm entre 28 e 52 anos e serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial, onde serão conhecidas as medidas de coação.