sexta-feira, 06 fev. 2026

PJ lança campanha “Ódio online mata offline” para alertar jovens para riscos da radicalização digital

Luís Neves destacou ainda que existem vários tipos de radicalização, assentes sobretudo em diferenças religiosas, de género, de orientação sexual e políticas
PJ lança campanha “Ódio online mata offline” para alertar jovens para riscos da radicalização digital

A Polícia Judiciária (PJ) lançou esta terça-feira a campanha “Ódio online mata offline”, uma iniciativa dirigida sobretudo a crianças e jovens, com o objetivo de alertar para os riscos da radicalização em ambiente digital e para o impacto real dos conteúdos de ódio disseminados nas redes sociais.

Segundo a PJ, o lançamento da campanha surge na sequência do aumento do número de jovens — incluindo menores — envolvidos na preparação ou execução de atos extremistas violentos, fenómeno identificado em relatórios recentes da Europol e de vários Estados-Membros da União Europeia, o que tornou “urgente” a adoção de medidas eficazes de prevenção da radicalização no espaço europeu.

“Neste contexto, a problemática da radicalização de crianças e jovens em ambiente online constitui um dos maiores desafios atuais, exigindo uma abordagem integrada e coordenada entre as estruturas do Estado e a sociedade civil”, refere a PJ, sublinhando que o fenómeno ultrapassa o âmbito exclusivo de atuação dos órgãos de polícia criminal.

Na apresentação da campanha, que decorreu no edifício da PJ, em Lisboa, o diretor nacional da instituição, Luís Neves, explicou que “a radicalização é o processo de transformação pessoal de crianças e jovens que conduz ao extremismo violento”, alertando para a especial vulnerabilidade desta faixa etária e revelando que já foram identificados casos em Portugal.

“Os conteúdos de ódio online entre jovens não surgem do nada. Resultam de uma combinação de fatores sociais, psicológicos, tecnológicos e culturais”, afirmou citado pela agência Lusa. Entre esses fatores, apontou a procura de identidade e de pertença, o funcionamento dos algoritmos das redes sociais, o anonimato e a desresponsabilização, a falta de literacia digital e de pensamento crítico, frustrações sociais e económicas, bem como a influência de figuras públicas.

Luís Neves destacou ainda que existem vários tipos de radicalização, assentes sobretudo em diferenças religiosas, de género, de orientação sexual e políticas. “Estas diferenças criam as pré-condições motivacionais e cognitivas ideais para a violência terrorista, alimentada pelo ódio e pelos preconceitos”, acrescentou.

Antes da apresentação do vídeo da campanha — que inclui imagens reais recolhidas no âmbito de investigações da PJ — o diretor nacional alertou para o aumento do chamado “crime as a service”, em que estruturas criminosas disponibilizam ferramentas digitais ilícitas, incluindo recurso à inteligência artificial, para facilitar a radicalização e o recrutamento, em especial de crianças e jovens.

Luís Neves defendeu ainda que o Plano de Ação de Prevenção da Radicalização e dos Extremismos Violentos e do Recrutamento para o Terrorismo deve ser tornado público. “Se pretendemos que todos façam parte deste combate, incluindo a sociedade civil, todos devem ter conhecimento do plano”, afirmou.

Também presente na sessão, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, sublinhou que a prevenção da radicalização não se faz apenas “com proibições ou vigilância”. “Tem de ser ancorada na literacia digital, no pensamento crítico, na educação para os direitos humanos e na capacitação de professores e técnicos para reconhecer sinais de risco e saber como agir, com respostas integradas à sua disposição”, declarou.