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A Polícia Judiciária (PJ) concluiu e remeteu ao Ministério Público o inquérito que permitiu desmantelar uma organização criminosa transnacional suspeita de branqueamento de capitais, fraude fiscal e falsificação de documentos, com movimentações superiores a 41 milhões de euros.
Em comunicado, a autoridade policial explica que a investigação incidiu sobre uma rede criminosa que operava na região Norte do país e que recorria a esquemas complexos para dissimular o dinheiro de origem ilícita através do sistema bancário nacional.
Segundo a PJ, estavam em causa crimes de associação criminosa, branqueamento, fraude fiscal e falsificação de documentos, no âmbito de uma estrutura “estável, organizada e com elevada capacidade de adaptação operacional”.
A investigação, já anteriormente divulgada em maio de 2025, levou à detenção de quatro suspeitos e à constituição de 19 arguidos, entre pessoas singulares e coletivas. Três dos arguidos encontram-se em prisão preventiva.
Foram ainda realizadas 25 buscas domiciliárias e não domiciliárias nos concelhos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, e em Esposende, no distrito de Braga.
De acordo com a PJ, a organização seria controlada por cidadãos estrangeiros e recorria ao sistema financeiro nacional para sustentar um esquema de branqueamento baseado em comércio internacional (Trade Based Money Laundering).
Este método consistia na criação sucessiva de sociedades e contas bancárias associadas, muitas vezes tituladas por indivíduos com identidades falsas, por onde circulavam os fundos ilícitos.
A investigação apurou que, apenas na fase mais recente analisada, terão sido movimentados mais de 41 milhões de euros em depósitos em numerário, valor ao qual acrescem outras transferências e operações bancárias, o que poderá elevar significativamente o montante global envolvido.
Os fundos eram depositados em contas criadas para o efeito e posteriormente transferidos para contas em países terceiros, numa tentativa de ocultar a sua origem.
A PJ identificou ainda uma cadeia de comando bem definida, com funções distribuídas entre recolha de dinheiro, depósitos bancários, gestão documental e controlo de testas de ferro.
No âmbito da operação, foram apreendidos cerca de 1,6 milhões de euros em numerário, várias viaturas de gama elevada, 25 contas bancárias, documentação relacionada com sociedades e circuitos financeiros, material informático e diversos cartões bancários.
Grande parte do dinheiro foi encontrada em estabelecimentos comerciais na Zona Industrial da Varziela, em Vila do Conde.
A PJ sublinha que este caso assume particular relevância pelo volume financeiro envolvido e pelo impacto no combate à criminalidade económico-financeira e ao branqueamento de capitais em Portugal.