quinta-feira, 14 mai. 2026

PJ ajuda Europol a localizar 45 crianças ucranianas retiradas à força e levadas para Rússia e Bielorrússia

Operação internacional contou com participação portuguesa e reuniu especialistas de 18 países. Autoridades investigam milhares de menores desaparecidos desde o início da guerra.
PJ ajuda Europol a localizar 45 crianças ucranianas retiradas à força e levadas para Rússia e Bielorrússia

A Polícia Judiciária participou numa operação internacional coordenada pela Europol e pelas autoridades dos Países Baixos que permitiu identificar e localizar 45 crianças ucranianas retiradas à força dos territórios ocupados e levadas para zonas controladas pela Rússia e Bielorrússia.

A ação contou com a intervenção da Unidade Nacional de Contra Terrorismo da PJ e decorreu nos dias 16 e 17 de abril, em Haia, com o objetivo de apoiar investigações em curso conduzidas pelas autoridades ucranianas.

Segundo a Polícia Judiciária, a contribuição portuguesa resultou em cinco pistas relevantes, obtidas através da análise de redes sociais, fotografias e possíveis ligações a estabelecimentos de ensino. Essa informação será agora validada e cruzada pelas entidades competentes.

As autoridades ucranianas estimam que cerca de 19.500 crianças desapareceram de territórios ocupados desde o início do conflito.

De acordo com os dados recolhidos, algumas destas crianças terão sido adotadas por cidadãos russos, enquanto outras poderão estar em campos de reeducação ou internadas em instituições psiquiátricas.

No total, foram produzidos 45 relatórios com informação considerada credível sobre a localização dos menores, incluindo rotas de transporte usadas nas deslocações forçadas, identidade de facilitadores, unidades militares envolvidas, locais para onde foram levadas e plataformas digitais onde surgem imagens das crianças.

Os investigadores admitem ainda que algumas poderão estar atualmente integradas em unidades militares russas.

A operação reuniu 40 especialistas de 18 países, além de representantes do Tribunal Penal Internacional e de organizações não governamentais, num esforço conjunto baseado em inteligência de fontes abertas e ferramentas digitais.