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O caso das agressões na Esquadra do Rato chocou o país. Esta semana, "Youssef" (nome fictício) descreveu o que viveu com os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) ao podcast "Fumaça".
O episódio remonta a outubro de 2024, depois de uma saída à noite. Estava a regressar a casa com um amigo quando viu um "grupo de pessoas vestidas à civil". "Eram umas cinco ou seis pessoas, a bater num homem de aparência africana. O meu amigo perguntou-me: 'O que é que se está a passar? O que está a acontecer?'”, contou.
Youssef contou que não se queria envolver na situação - no entanto, para chegar a casa, teria que passar por aquela zona.
“Aí, um virou-se ao meu amigo e empurrou-o com muita força. O meu amigo quase caiu. Não percebeu o que é que estava a acontecer, levantou-se e ia na direção do homem para lhe perguntar o que se estava a passar. Nisto, eu vi que um deles tinha um rádio walkie-talkie, e outro tinha uma arma. Percebi imediatamente que eram polícias à paisana", revela.
Ainda tentaram afastar-se da confusão, mas acabaram por ser levados detidos para a Esquadra do Rato. Youssef conta que foram algemados a um banco e agredidos continuamente pelos agentes. "Um estava a usar luvas de boxe e atacou-nos com as luvas. Continuaram durante quase uma hora ou mais", conta.
A vítima confessa que achou que não iria sobreviver às agressões. “Senti que nunca mais ia sair dali. Que ia ser deportado, que ia perder tudo e que podia até ser morto ali dentro. E não ia dar em nada, porque, obviamente, sendo negro, imigrante, senti que não tinha qualquer valor", lamenta.
Recorde-se que vários polícias foram detidos no âmbito deste processo, sendo suspeitos de vários crimes, incluindo tortura, ofensas à integridade física, abuso de poder e falsificação de documentos. Segundo os indícios recolhidos, alguns dos alegados agressores terão filmado os abusos e posteriormente partilhado os vídeos em grupos privados de mensagens.
A investigação está a ser conduzida pelo Ministério Público.