sexta-feira, 17 abr. 2026

Páscoa em alerta máximo para afogamentos. Nadadores-salvadores avisam para período crítico nas praias

Duas semanas de risco elevado em zonas sem vigilância. Em anos anteriores, chegaram a registar-se 20 mortes por afogamento durante a quinzena da Páscoa.
Páscoa em alerta máximo para afogamentos. Nadadores-salvadores avisam para período crítico nas praias

A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS) lançou um alerta para o aumento do risco de afogamentos durante o período da Páscoa, que considera uma das fases mais críticas do ano nas praias portuguesas ainda sem vigilância.

O presidente da FEPONS, Alexandre Tadeia, sublinha, citado pela agência Lusa, que as próximas duas semanas combinam três fatores de risco: bom tempo, elevada afluência às zonas costeiras e ausência de nadadores-salvadores em muitas praias.

Segundo a federação, este período tem registado historicamente números superiores à média habitual de afogamentos em Portugal, com valores que podem duplicar ou até quadruplicar face ao normal. Em anos anteriores, chegaram a registar-se 20 mortes por afogamento durante a quinzena da Páscoa.

Os dados recolhidos pela FEPONS indicam que a média anual ronda cerca de cinco mortes por quinzena, mas que esta época específica se destaca consistentemente como uma das mais perigosas, sobretudo devido ao facto de muitas praias ainda não estarem vigiadas.

A federação defende, por isso, um reforço urgente da prevenção, apelando a comportamentos de risco zero por parte dos banhistas, nomeadamente evitar a aproximação ao mar em zonas não vigiadas e respeitar as condições do oceano, que podem ser enganadoras nesta altura do ano.

Paralelamente ao alerta de segurança, a FEPONS volta a chamar a atenção para um problema estrutural: a falta de nadadores-salvadores no arranque da época balnear.

Segundo a federação, todos os anos cerca de metade dos profissionais disponíveis abandona a atividade, o que obriga a uma renovação constante de recursos humanos. Grande parte destes profissionais são estudantes universitários que só regressam à atividade no verão, deixando um vazio crítico nos primeiros meses da época balnear.

Esta limitação leva muitas zonas do país a recorrer a nadadores-salvadores estrangeiros para colmatar falhas de recursos, sobretudo no início da temporada.

A FEPONS defende ainda uma revisão do modelo atual de vigilância das praias, propondo um sistema mais contínuo ao longo do ano, semelhante ao que já existe noutros países, argumentando que há praias frequentadas em todas as estações.

A federação aponta também questões de organização e financiamento, defendendo maior responsabilidade das autarquias e a retirada dos concessionários da gestão direta da segurança balnear, bem como a valorização da profissão, com melhores condições e remuneração.

Segundo dados divulgados pela própria estrutura, em 2024 registaram-se 121 mortes por afogamento em Portugal continental, com o mar e os rios a concentrarem a maioria das ocorrências.