segunda-feira, 09 fev. 2026

Parlamento Europeu trava tentativa de enfraquecer direitos dos passageiros aéreos

A proposta foi adotada com 632 votos a favor, 15 contra e nove abstenções
Parlamento Europeu trava tentativa de enfraquecer direitos dos passageiros aéreos

O Parlamento Europeu (PE) aprovou esta quarta-feira, por larga maioria, a sua posição sobre a revisão das regras dos direitos dos passageiros aéreos, contestando a tentativa dos governos da União Europeia de reduzir proteções em casos de atrasos, cancelamentos e recusa de embarque.

A proposta foi adotada com 632 votos a favor, 15 contra e nove abstenções.

Os eurodeputados defendem a manutenção dos direitos atualmente em vigor, incluindo o direito ao reembolso ou reencaminhamento e à indemnização quando um voo sofre um atraso superior a três horas, é cancelado ou há recusa de embarque.

Esta posição contrasta com a do Conselho da União Europeia, que propõe que a compensação só seja aplicada após atrasos entre quatro e seis horas, consoante a distância do voo.

O Parlamento Europeu opõe-se igualmente à redução dos montantes das indemnizações e propõe que estas se situem entre 300 e 600 euros, dependendo da distância percorrida. Já os Estados-membros defendem valores entre 300 e 500 euros.

Os eurodeputados querem ainda reforçar outros direitos dos passageiros, nomeadamente:

  • o transporte gratuito de uma peça de bagagem de mão, além de um item pessoal;

  • o direito de adultos acompanhados por menores de 14 anos ou pessoas com mobilidade reduzida a viajarem sentados juntos, sem custos adicionais.

No que respeita às chamadas “circunstâncias extraordinárias”, que permitem às companhias aéreas limitar a sua responsabilidade, o PE defende que a lista — que atualmente inclui catástrofes naturais, guerras, condições meteorológicas adversas ou conflitos laborais imprevistos — seja exaustiva e atualizada regularmente pela Comissão Europeia.

No âmbito do processo legislativo, a posição agora adotada será enviada ao Conselho da UE. Caso os Estados-membros não aceitem as alterações propostas pelo Parlamento, será convocado um Comité de Conciliação para negociar a versão final da legislação.