Padre condenado por 18 crimes de abuso sexual em Braga recebeu agora a sentença da Igreja

A Arquidiocese de Braga tornou pública a decisão de afastar definitivamente Albino Meireles do sacerdócio. O decreto foi emitido em abril, após condenação na justiça civil por crimes contra menores e adultos vulneráveis.
Padre condenado por 18 crimes de abuso sexual em Braga recebeu agora a sentença da Igreja

A Arquidiocese de Braga tornou pública a decisão que põe fim, de forma definitiva, ao percurso de Albino Fernando Tristão Meireles enquanto sacerdote. Por decreto de 21 de abril de 2026, a instituição aplicou ao padre a demissão do estado clerical, a sanção mais grave prevista no direito canónico para um sacerdote, após a conclusão de um processo penal interno.

Em termos práticos, Albino Meireles deixou de ser padre. A medida é irreversível sem autorização da Santa Sé e foi comunicada esta semana pela própria arquidiocese, que optou por tornar pública a decisão após a condenação no âmbito da justiça civil.

O que originou o processo canónico?

O processo interno centrou-se em condutas de natureza sexual praticadas contra menores e pessoas vulneráveis, na formulação adotada pela Igreja para este tipo de crimes. A decisão canónica acompanha a condenação civil do sacerdote por 18 crimes de abuso sexual de menores e um crime de pornografia infantil.

O caso chegou a tribunal depois de uma investigação da Polícia Judiciária de Braga que teve início após uma reportagem do SOL, em setembro de 2022. Uma mãe tinha denunciado, em 2019, abusos cometidos pelo padre contra três dos seus filhos, o mais velho com 10 anos à data dos factos. Os crimes terão ocorrido durante férias na Póvoa do Varzim. Nas buscas à casa paroquial onde o sacerdote residia, os investigadores apreenderam registos informáticos de conteúdo pornográfico e uma arma de fogo ilegal.

A denúncia que ficou sem resposta

A queixa da mãe das crianças chegou primeiro à Igreja, nomeadamente ao então arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, que não lhe terá dado seguimento imediato. Só com a chegada de D. José Cordeiro à frente da arquidiocese é que o caso foi encaminhado para o Ministério Público, dando início ao processo judicial que culminou na condenação civil. Albino Meireles era o único padre no ativo em Braga referenciado na lista entregue pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra Crianças na Igreja Católica Portuguesa.

O sacerdote estava suspenso e impedido de celebrar missa desde que foi constituído arguido. O processo civil incluiu também uma relação mantida com um menor contactado através do Facebook, à época com 15 anos, facto que o próprio padre acabou por admitir. O jovem, entretanto maior de idade, optou por não apresentar queixa-crime.

O que diz agora a arquidiocese?

No comunicado divulgado, a Arquidiocese de Braga reconhece a gravidade dos atos praticados e a dor causada às vítimas, às suas famílias e às comunidades onde o sacerdote exerceu funções. A instituição reafirma o compromisso de colaborar com as autoridades civis e de promover uma cultura de proteção, prevenção e transparência.

Indicou também que não prestará declarações adicionais para além da nota divulgada.

A arquidiocese apela ainda a quem possa ter sido vítima de abusos em paróquias ou instituições da diocese a contactar a Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, através do endereço braga@comissaodiocesana.pt ou do número 913 596 668.