terça-feira, 08 set. 2026

Ordem dos Advogados alerta para "fenómenos de regressão" nos direitos das mulheres

O bastonário João Massano manifestou preocupação com o crescimento do conservadorismo e da misoginia nas redes sociais, apontando o fenómeno da manosfera. Na conferência sobre Igualdade de Género, o líder dos advogados apelou à educação dos mais jovens contra o controlo e a violência no namoro
Ordem dos Advogados alerta para "fenómenos de regressão" nos direitos das mulheres

O bastonário da Ordem dos Advogados considerou esta quinta-feira que existem sinais preocupantes de regressão dos direitos das mulheres e que é imprescindível mostrar aos mais jovens que existem comportamentos que não são aceitáveis.

Durante a conferência sobre “Igualdade de Género e Convenção de Istambul”, promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, em Lisboa, o bastonário João Massano alertou para “o conservadorismo que existe atualmente na sociedade” e que “fez regredir os direitos das mulheres”, dando como exemplo o fenómeno da manosfera, que são comportamentos misóginos, partilhados através das redes sociais.

“Esse é um fenómeno que tem de nos preocupar cada vez mais, porque não estamos só a falar daquilo que achávamos que eram conquistas irreversíveis e que havia uma progressão constante na igualdade de género. Nós atualmente estamos a enfrentar fenómenos de regressão”, acrescentou o bastonário da Ordem dos Advogados que participou na conferência à distância.

O principal desafio, considerou João Massano, é ajudar os mais jovens a perceberem que existem comportamentos que não são aceitáveis, como controlar o telemóvel do namorado ou namorada ou que qualquer pessoa tem liberdade para vestir o que quiser.

“Estamos numa fase difícil, estamos numa fase em que temos de ter a coragem de enfrentar estes fenómenos que infelizmente têm vindo a ganhar muitos seguidores”, considerou o bastonário, acrescentando que “é muito importante que as pessoas percebam que o que está em causa já não é defender única e exclusivamente uma progressão da igualdade de género e dos direitos que existiam, mas sim impedir a regressão desses direitos”.