sexta-feira, 12 jun. 2026

Operação "Terra Milagrosa". PJ desmantela rede que terá legalizado milhares de imigrantes com documentos falsos

Com este esquema, terão sido criados registos contributivos irregulares que geraram uma dívida na ordem dos 10 milhões de euros à Segurança Social.
Operação "Terra Milagrosa". PJ desmantela rede que terá legalizado milhares de imigrantes com documentos falsos

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou uma alegada rede criminosa dedicada ao auxílio da imigração ilegal, à falsificação de documentos e branqueamento de capitais, numa operação realizada em Oeiras e Odivelas, que resultou na detenção de dois suspeitos considerados cabecilhas do grupo.

A operação denominada "Terra Milagrosa" teve início em setembro de 2023 e foi desenvolvida pela Diretoria do Centro da PJ, em articulação com a Unidade de Fiscalização do Centro da Segurança Social.

Segundo a investigação, o grupo dedicava-se a um esquema de legalização irregular e em larga escala de cidadãos estrangeiros em Portugal, através da criação de documentação falsa e de mecanismos fraudulentos de registo laboral e contributivo.

Entre os serviços alegadamente disponibilizados estavam a obtenção de contratos de trabalho fictícios, números de identificação fiscal (NIF), números de identificação da Segurança Social (NISS), atestados de residência e históricos contributivos falsos.

Os suspeitos, um empresário e um advogado, terão recorrido a senhas de acesso indevido à Segurança Social Direta, pertencentes a entidades empregadoras inativas ou insolventes, para submeter declarações de remuneração falsas.

Com este esquema, terão sido criados registos contributivos irregulares para cerca de 4.000 cidadãos estrangeiros, resultando numa dívida acumulada à Segurança Social na ordem dos 10 milhões de euros.

A PJ revela ainda, em comunicado, que muitos dos cidadãos envolvidos, apesar de constarem como trabalhadores e residentes em Portugal, estariam na realidade noutros países do espaço europeu.

No decorrer da operação foram realizadas quatro buscas, que levaram à apreensão de documentação relacionada com processos de legalização, equipamento informático, dinheiro em numerário e outros bens associados aos alegados lucros da atividade criminosa.

Na operação participaram várias equipas da Polícia Judiciária, incluindo elementos da Unidade de Perícia Tecnológica e Informática, bem como magistrados judiciais e do Ministério Público.

Os dois detidos, de 53 e 56 anos, já tinham antecedentes criminais pela prática crimes iguais.

Ambos serão presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das devidas medidas de coação.