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O advogado José Preto renunciou esta terça-feira à defesa do antigo primeiro-ministro, José Sócrates, para que o arguido tenha “liberdade no restabelecimento dos seus direitos de defesa”, avança a TVI/CNN Portugal.
José Preto refere, numa carta enviada ao tribunal, que a justiça não deu um prazo para que o advogado recuperasse do internamento a que esteve sujeito desde dezembro, avançando com a retoma do julgamento da "Operação Marquês".
José Sócrates volta, assim, a ficar sem advogado de defesa. No entanto, já pediu ao tribunal para lhe dar um prazo de 20 dias para encontrar um novo defensor, garantindo que não aceita ser defendido pela advogada oficiosa atribuída.
Recorde-se que José Preto tinha sido escolhido pelo antigo primeiro-ministro em novembro de 2025, para substituir Pedro Delille, que renunciou às suas funções após um episódio de desentendimento com a juíza que considerou “violentar a sua consciência”. José Preto não teve oportunidade de representar Sócrates no julgamento, uma vez que esteve internado na retoma das sessões.
Os adiamentos do julgamento “Operação Marquês”
Em novembro de 2025, Pedro Delille, que representava José Sócrates há 11 anos, desde o início do julgamento, renunciou às suas funções por após um episódio de desentendimento com a juíza que considerou “violentar a sua consciência”.
A juíza chegou a nomear como advogado oficioso José Manuel Santos; no entanto, Sócrates recusou, contratando José Preto, que pediu um adiamento de 5 meses e meio para se “inteirar do processo”, pedido que foi recusado.
O reagendamento do julgamento estava previsto para 6 de janeiro; no entanto, José Preto informou o tribunal de que se encontrava internado por doença e que não poderia comparecer na retoma do julgamento.
Mais uma vez, o julgamento teve de ser adiado, devido à recusa das advogadas oficiosas nomeadas pela juíza Susana Seca de representarem José Sócrates. A primeira, Inês Louro, tinha invocou objeção de consciência por ser militante do Chega e por já ter criticado publicamente o antigo primeiro-ministro socialista.
Já Ana Velho alegou que o processo era “demasiado complexo” para a advogada ter condições de defender o arguido, mas o tribunal decidiu que não poderia ser dispensada, determinando cinco dias para que a advogada contactasse José Sócrates e tomasse conhecimento do processo - só poderia ser dispensada no final desse prazo.