O ex-secretário de Estado José Conde Rodrigues afirmou esta terça-feira, em tribunal, que apenas conheceu Carlos Santos Silva depois de sair do Governo de José Sócrates e que recebeu 25 mil euros mensais por serviços de consultoria baseados em informações recolhidas em fontes abertas e transmitidas verbalmente.
Conde Rodrigues foi ouvido no julgamento da Operação Marquês, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, por ter exercido funções governativas entre 2005 e 2011 e, posteriormente, ter celebrado contratos com Carlos Santos Silva, arguido no processo e apontado pelo Ministério Público como um dos alegados testas-de-ferro do ex-primeiro-ministro José Sócrates.
Segundo o ex-governante, o contacto com Santos Silva ocorreu após a sua saída do Executivo, tendo sido apresentado por um amigo comum. Em tribunal, explicou que Santos Silva manifestou interesse em investir no estrangeiro, nomeadamente na Venezuela, levando à celebração de um contrato de prestação de serviços entre a sociedade XMI e José Conde Rodrigues, no valor de 25 mil euros por mês.
De acordo com a acusação, Conde Rodrigues recebeu 161 mil euros através de dois contratos, relacionados com informações sobre a Venezuela e Marrocos. O Ministério Público sustenta que os alegados serviços consistiam em reuniões, maioritariamente almoços, durante os quais a informação era transmitida apenas de forma verbal.
Em tribunal, o ex-secretário de Estado confirmou que nunca produziu relatórios escritos, esclarecendo que a informação partilhada resultava exclusivamente de fontes públicas e era transmitida oralmente durante encontros presenciais.
O principal arguido do processo é o ex-primeiro-ministro José Sócrates, de 68 anos, acusado de 22 crimes, incluindo três de corrupção, alegadamente relacionados com benefícios ao grupo Lena, ao Grupo Espírito Santo e ao empreendimento Vale do Lobo.
O processo envolve 21 arguidos e um total de 117 crimes económico-financeiros, alegadamente cometidos entre 2005 e 2014. Alguns dos crimes mais antigos, ligados a Vale do Lobo, poderão prescrever ainda no primeiro semestre deste ano.
O julgamento arrancou a 3 de julho de 2025 e tem sessões marcadas, pelo menos, até 15 de julho de 2026.