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O julgamento da Operação Marquês ficou esta quinta-feira marcado pela recusa de Lígia Correia, companheira do ex-primeiro-ministro José Sócrates, em responder às perguntas do tribunal, levando ao adiamento do seu depoimento para o próximo dia 30 de junho.
Perante o coletivo de juízes presidido por Susana Seca, Lígia Correia começou por afirmar que não necessitava de advogado e explicou que mantém uma relação com José Sócrates desde 2011, com algumas interrupções, vivendo com o antigo chefe do Governo desde 2014.
No entanto, quando começou a ser questionada sobre factos concretos relacionados com o processo, recusou responder, justificando a decisão com a relação que mantém com o arguido.
A audiência foi interrompida e, após o regresso do coletivo de juízes à sala, a testemunha alterou a sua posição.
"Durante esta pausa refleti e pretendo consultar um advogado", afirmou.
Face ao pedido, o tribunal decidiu adiar o depoimento para o dia 30 de junho, às 09h30.
Ex-companheira confirmou entrega de dinheiro
Antes da audição de Lígia Correia, foi ouvida Célia Tavares, que afirmou ter mantido uma relação com José Sócrates entre 2012 e 2014.
Em tribunal, a testemunha confirmou ter recebido, por diversas ocasiões, envelopes com dinheiro entregues por João Perna, motorista do antigo primeiro-ministro e também arguido no processo.
Segundo Célia Tavares, os montantes rondavam os 300 a 400 euros por entrega, aos quais se juntaram cerca de dois mil euros através de transferência bancária.
A testemunha explicou que esse dinheiro se destinava ao pagamento de despesas pessoais, relacionadas com a habitação e com a frequência do curso de Direito que realizava na altura.
Célia Tavares afirmou ainda ter realizado 17 viagens a Paris durante o período em que manteve a relação com José Sócrates, referindo que conheceu duas casas utilizadas pelo antigo governante na capital francesa.
José Sócrates é um dos 21 arguidos da Operação Marquês. Entre outros crimes, responde por três crimes de corrupção, estando acusado pelo Ministério Público de ter alegadamente recebido vantagens patrimoniais para favorecer o Grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o empreendimento de Vale do Lobo.
O antigo primeiro-ministro tem negado todas as acusações que lhe são imputadas.