quarta-feira, 15 jul. 2026

OMS alerta que uma em cada cinco pessoas desenvolverá cancro ao longo da vida

A doença continua a ser a segunda principal causa de morte a nível mundial, provocando cerca de 10 milhões de mortes por ano.
OMS alerta que uma em cada cinco pessoas desenvolverá cancro ao longo da vida

Uma em cada cinco pessoas desenvolverá cancro ao longo da vida e cerca de 92% da população mundial será afetada pela doença de forma direta ou indireta, seja através de um diagnóstico próprio ou de um familiar próximo.

O alerta consta de um relatório sobre a doença divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC).

O documento refere que foram diagnosticados cerca de 20,6 milhões de novos casos de cancro por ano em todo o mundo em 2024, número que poderá aumentar para quase 35 milhões até 2050 caso não sejam reforçadas as políticas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. A doença continua a ser a segunda principal causa de morte a nível mundial, apenas atrás das doenças cardiovasculares, provocando perto de 10 milhões de mortes por ano.

Desigualdades continuam a marcar o acesso aos tratamentos

Apesar dos avanços na medicina, a OMS sublinha que o país onde a pessoa vive continua a ser determinante para as suas probabilidades de sobrevivência. O relatório aponta diferenças significativas entre países de elevados e baixos rendimentos, tanto no acesso ao rastreio como aos tratamentos oncológicos.

Muitos casos podem ser evitados

O relatório destaca ainda que foram alcançados alguns progressos na prevenção. O consumo de tabaco continua a ser o principal fator de risco evitável, seguindo-se o consumo de álcool, a obesidade, o sedentarismo, a alimentação pouco saudável, a poluição atmosférica e algumas infeções, como as provocadas pelo vírus do papiloma humano (HPV) e pelos vírus das hepatites B e C.

A OMS salienta também os avanços registados na vacinação contra o HPV, responsável pela maioria dos casos de cancro do colo do útero. Atualmente, 85% dos países já integraram esta vacina nos respetivos programas nacionais de imunização, um passo considerado essencial para reduzir a incidência desta doença nas próximas décadas.

OMS pede reforço dos sistemas de saúde

Perante o aumento previsto do número de diagnósticos, a OMS defende uma resposta mais coordenada por parte dos governos e dos sistemas de saúde. O organismo internacional lembra que um número crescente de pessoas viverá durante vários anos com um diagnóstico de cancro, o que exige não só melhores cuidados médicos, como também maior proteção social e combate ao estigma associado à doença.

Entre as recomendações apresentadas no relatório estão o reforço da integração dos cuidados oncológicos na cobertura universal de saúde, o investimento em serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento mais abrangentes, a promoção da literacia em saúde junto das comunidades e o desenvolvimento de medidas de apoio social que reduzam o impacto da doença na vida dos doentes e das suas famílias.