terça-feira, 10 fev. 2026

“O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado." Empresas de telecomunicações respondem às críticas de Marcelo Rebelo de Sousa

A polémica surge depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter afirmado que as empresas de telecomunicações se "portaram mal, não tão gravemente como em 2017”.
“O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado." Empresas de telecomunicações respondem às críticas de Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, criticou a "resposta demorada" das operadoras após a passagem da depressão Kristin. "Portaram-se mal, não tão gravemente como em 2017”, afirmou. Sobre a Vodafone, acrescentou que a rede “aguentou um bocadinho mais, mas depois ficou tudo sem comunicações” e criticou o tempo necessário para a reposição dos serviços.

As declarações geraram reação imediata por parte das empresas. Ana Figueiredo, CEO da Meo, assegurou que a operadora ativou desde o dia 28 de janeiro o seu plano de contingência, com mais de 1.500 técnicos mobilizados em "condições exigentes" e uma sala de crise em funcionamento 24 horas por dia. “Estamos, desde o primeiro momento, em contacto permanente com as autoridades competentes, com a Proteção Civil e com as entidades de emergência, assegurando total alinhamento institucional”, explicou. A responsável afirmou ainda que “as declarações proferidas pelo senhor Presidente da República só podem resultar de informações incompletas ou imprecisas sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido”.

Por sua vez, Miguel Almeida, CEO da NOS, reforçou a defesa do trabalho das equipas no terreno: “O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado. As suas declarações demonstram uma profunda insensibilidade e desumanidade face às centenas de homens e mulheres que desde quarta-feira passada estão dia e noite a recuperar da maior destruição de redes de comunicações já vista em Portugal”. A NOS informou também que os dias sem serviço serão creditados automaticamente aos clientes, de acordo com a legislação.

A polémica surge no contexto da depressão Kristin que deixou pelo menos dez mortos e centenas de feridos ou desalojados. O fenómeno meteorológico provocou destruição total ou parcial de casas e empresas, quedas de árvores e estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas, linhas ferroviárias interrompidas, encerramento de escolas e falhas de energia, água e comunicações, sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém. Até ao final do dia desta quarta-feira, estavam ainda sem energia cerca de 76 mil clientes, dos quais 74 mil em Leiria, segundo comunicado da E-Redes.

O Governo decretou estado de calamidade para 68 concelhos e anunciou um pacote de apoio de até 2,5 mil milhões de euros para fazer face aos danos materiais e apoiar as populações afetadas.