Relacionados
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, criticou a "resposta demorada" das operadoras após a passagem da depressão Kristin. "Portaram-se mal, não tão gravemente como em 2017”, afirmou. Sobre a Vodafone, acrescentou que a rede “aguentou um bocadinho mais, mas depois ficou tudo sem comunicações” e criticou o tempo necessário para a reposição dos serviços.
As declarações geraram reação imediata por parte das empresas. Ana Figueiredo, CEO da Meo, assegurou que a operadora ativou desde o dia 28 de janeiro o seu plano de contingência, com mais de 1.500 técnicos mobilizados em "condições exigentes" e uma sala de crise em funcionamento 24 horas por dia. “Estamos, desde o primeiro momento, em contacto permanente com as autoridades competentes, com a Proteção Civil e com as entidades de emergência, assegurando total alinhamento institucional”, explicou. A responsável afirmou ainda que “as declarações proferidas pelo senhor Presidente da República só podem resultar de informações incompletas ou imprecisas sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido”.
Por sua vez, Miguel Almeida, CEO da NOS, reforçou a defesa do trabalho das equipas no terreno: “O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado. As suas declarações demonstram uma profunda insensibilidade e desumanidade face às centenas de homens e mulheres que desde quarta-feira passada estão dia e noite a recuperar da maior destruição de redes de comunicações já vista em Portugal”. A NOS informou também que os dias sem serviço serão creditados automaticamente aos clientes, de acordo com a legislação.
A polémica surge no contexto da depressão Kristin que deixou pelo menos dez mortos e centenas de feridos ou desalojados. O fenómeno meteorológico provocou destruição total ou parcial de casas e empresas, quedas de árvores e estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas, linhas ferroviárias interrompidas, encerramento de escolas e falhas de energia, água e comunicações, sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém. Até ao final do dia desta quarta-feira, estavam ainda sem energia cerca de 76 mil clientes, dos quais 74 mil em Leiria, segundo comunicado da E-Redes.
O Governo decretou estado de calamidade para 68 concelhos e anunciou um pacote de apoio de até 2,5 mil milhões de euros para fazer face aos danos materiais e apoiar as populações afetadas.