terça-feira, 18 ago. 2026

O que significa a bandeira roxa que quase ninguém sabe identificar?

Para além do verde, do amarelo e do vermelho, existe uma sinalização bem menos conhecida nas praias portuguesas. Raramente é vista, mas quando aparece merece toda a atenção dos banhistas.
O que significa a bandeira roxa que quase ninguém sabe identificar?

Em Portugal, todas as praias concessionadas seguem um sistema oficial de bandeiras, regulado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que permite informar de forma rápida sobre o nível de segurança e as condições do mar. Entre as cores mais familiares (verde, amarela e vermelha), existe uma bandeira roxa que pouca gente sabe reconhecer.

O que significa a bandeira roxa

Esta sinalização alerta para a presença de organismos marinhos potencialmente perigosos, como alforrecas, medusas ou caravelas-portuguesas. Ao contrário da bandeira vermelha, não proíbe automaticamente os banhos, mas pede prudência redobrada antes de entrar na água. Consoante a praia, o alerta pode ainda surgir sob a forma de uma bandeira branca com o símbolo de uma medusa, já que a sinalização não é totalmente uniforme em todo o país.

Perante este aviso, a recomendação mais segura é:

  • Confirmar junto do nadador-salvador a extensão e a gravidade do risco antes de entrar na água.

  • Evitar o banho caso esteja acompanhado de crianças ou tenha historial de reações alérgicas a picadas de medusas.

  • Nunca tocar em organismos gelatinosos arrojados na areia, mesmo que pareçam mortos, já que os tentáculos podem continuar ativos.

Onde já foi sinalizada em Portugal

Este tipo de alerta não é frequente, mas já aconteceu em várias zonas do país. Em março de 2026, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou para um número pouco habitual de caravelas-portuguesas a dar à costa, com avistamentos que se estenderam da praia do Magoito, em Sintra, até à praia da Terra Estreita, em Tavira, chegando a registar-se mais de 50 exemplares numa única praia. A espécie, que pode ter tentáculos com vários metros de comprimento, é considerada a mais perigosa entre os organismos gelatinosos que ocorrem na costa portuguesa.

Este tipo de ocorrência tende a ser mais comum nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, onde a caravela-portuguesa surge com maior regularidade, mas episódios semelhantes já levaram, no passado, ao reforço da vigilância em praias do continente, como na Costa de Caparica.

Se for picado

A recomendação, em caso de contacto com uma alforreca, medusa ou caravela-portuguesa, é lavar a zona afetada com água do mar, sem nunca esfregar a pele. Os tentáculos que fiquem presos devem ser retirados com cuidado, sem contacto direto com as mãos, e deve procurar-se assistência médica sempre que surjam sintomas mais graves.