terça-feira, 16 jun. 2026

O dilema dos pais: afinal, quando deve uma criança ter o seu primeiro smartphone? Os especialistas respondem

Entre a pressão social, o acesso precoce a ecrãs e os riscos associados ao mundo digital, o mais importante não é apenas quando dar, mas como preparar a criança para um uso responsável e acompanhado.
O dilema dos pais: afinal, quando deve uma criança ter o seu primeiro smartphone? Os especialistas respondem

Educar um filho pode ser considerada uma das tarefas mais difíceis para um ser humano ao longo da vida: o que fazer, como fazer, a partir de que idade fazer? São várias as questões e a tecnologia (agregada aos riscos) só veio complicar.

Afinal, a partir de que idade deve uma criança ter um telemóvel?

É inevitável as crianças e adolescentes acederem a ecrãs mesmo antes de isso ser delegado pelos pais: através dos aparelhos eletrónicos em casa, dos pais, dos irmãos.

Mas entre "ir acedendo" a ecrãs e ter um só para si, a diferença pode ser grande.

A verdade é: não há uma idade definida como "a mais adequada" para receber o primeiro smartphone.

Os pais devem ter em conta que, a partir do momento em que abrem o mundo virtual às crianças e adolescentes, é um "caminho sem volta". Acima de tudo, devem estar cientes dos riscos e da importância de permanecerem envolvidos no uso que os menores fazem dos aparelhos, com regras adequadas e bem definidas no dia a dia.

A psicóloga do Centro de Neurodesenvolvimento e Comportamento da Criança e do Adolescente do Hospital da Luz Lisboa, Filipa Pancada Fonseca, explica que será razoável dar um telemóvel a uma criança a partir do 2.º Ciclo de escolaridade. Esta decisão deve ser acompanhada da análise do sentido de responsabilidade que a criança apresenta e da necessidade.

Também um estudo recente publicado na revista Pediatrics concluiu, através de uma análise com 10.500 crianças, que o ideal é esta decisão ser tomada após os 12 anos.

O psiquiatra infantil Ran Barzilay, autor principal do estudo, revelou que crianças com telemóveis aos 12 anos apresentavam maior risco de depressão, obesidade e distúrbios do sono, sintomas ainda mais agravados em crianças a quem foi dado o acesso antes daquela idade.

Que regras devem ser implementadas?

Mais uma vez, tudo isso depende dos pais e da forma como a criança interpreta o ato de ter um smartphone. De forma geral, o início deve ser pautado por um tempo de utilização limitado, o local de acesso deve ser perto dos pais (e não num quarto sozinhos, por exemplo), e os pais devem ter acesso às movimentações dos filhos na internet, através do controlo parental, para garantirem que não há pesquisas desadequadas ou conversas arriscadas.

Também podem decidir alturas do dia em que o uso é proíbido, como às refeições ou antes de ir dormir, por interferir com a qualidade do sono das crianças. Todas estas regras vão ajudar no processo da boa utilização do smartphone e, consequentemente, da internet.

Os riscos da internet também não devem ser escondidos das crianças, mas sim falados abertamente, de forma a elas próprias terem um sentido de alerta enquanto aprendem a navegar pelo mundo digital.  

Como saber se o uso de ecrãs é excessivo?

O "ser excessivo" depende da forma como está a condicionar (ou não) cada criança e, por isso não é algo generalizado. Se se aperceber de alterações de comportamento, como manifestações de irritabilidade e/ou ansiedade, isolamento, desleixo com atividades diárias e alterações no desempenho escolar, então provavelmente pode falar em excesso prejudicial.

O ideal para isto não acontecer, além das regras faladas anteriormente, deve ser combinar o uso de ecrãs com atividades mais lúdicas, como passear, ouvir música, fazer desporto, alguma atividade artística, que fomente a necessidade de sair de casa e de estimular o lado criativo do cérebro.