Um novo deslizamento de terras atingiu, na madrugada desta terça-feira, três habitações na Costa da Caparica, no concelho de Almada, obrigando ao realojamento preventivo de 20 pessoas de edifícios contíguos.
Segundo fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Península de Setúbal, citada pela agência Lusa, o alerta foi dado às 1h15 e a derrocada afectou três casas na Rua Duarte Pacheco Pereira.
As habitações ficaram parcialmente soterradas, com entrada de terra nas divisões. Os moradores já tinham sido retirados anteriormente pelas autoridades, na sequência do agravamento das condições meteorológicas.
Moradores realojados no parque de campismo
De acordo com a Proteção Civil, 20 moradores de prédios vizinhos foram retirados por precaução e encaminhados temporariamente para o parque de campismo da Fundação Inatel.
As operações mobilizaram os Bombeiros de Cacilhas, o Serviço Municipal de Proteção Civil de Almada e a GNR.
A zona mantém-se sob vigilância, numa altura em que persistem dúvidas quanto à estabilidade das arribas.
Autarca admite que há casas sem condições de regresso
Na segunda-feira, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, admitiu que muitas das pessoas retiradas das habitações devido aos sucessivos deslizamentos “não conseguirão regressar às casas”.
Até ao momento, 230 pessoas foram realojadas de emergência pelo município, na sequência das intempéries que têm afectado o concelho.
Arribas sob monitorização científica
Equipas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa foram accionadas para reforçar a monitorização das arribas, no âmbito de um protocolo estabelecido com a autarquia desde 2023.
Segundo a presidente da câmara, estas equipas irão acompanhar, nos próximos dois anos, a vertente ribeirinha e toda a arriba fóssil.
A autarquia solicitou ainda apoio ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil para avaliação técnica adicional.
Desde o início das tempestades que atingem o território nacional, o concelho de Almada tem registado vários episódios de instabilidade nas arribas da Costa da Caparica e também em Porto Brandão, aumentando a preocupação das autoridades e da população.