terça-feira, 09 jun. 2026

Negócio milionário no Algarve acaba em acusações de burla, documentos falsos e imóveis vendidos sem autorização

Agente imobiliária e três solicitadoras são acusadas de mais de 130 crimes ligados a um alegado esquema que terá lesado dezenas de vítimas e rendido milhões de euros.
Negócio milionário no Algarve acaba em acusações de burla, documentos falsos e imóveis vendidos sem autorização

Uma agente imobiliária e três solicitadoras de execução foram acusadas pelo Ministério Público de dezenas de crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, num alegado esquema imobiliário que terá rendido cerca de 3,9 milhões de euros no Algarve.

Segundo o Departamento de Investigação e Ação Penal de Évora, as suspeitas terão atuado entre 2021 e 2025 através de um plano coordenado centrado na zona de Portimão e Alvor.

Casas eram alegadamente vendidas sem autorização dos proprietários

De acordo com a acusação, os imóveis pertenciam a terceiros e eram transacionados sem conhecimento ou autorização dos proprietários.

As autoridades suspeitam que as arguidas recorriam a documentos alterados e assinaturas falsificadas para obter poderes que permitiam celebrar contratos-promessa e escrituras de compra e venda.

Em alguns casos, as operações terão sido realizadas com recurso a financiamento bancário.

O Ministério Público fala em mais de 60 crimes de burla qualificada e 72 crimes de falsificação de documentos, sendo que 45 destes últimos surgem na forma agravada.

Há mais de 50 vítimas e milhões apreendidos

A investigação identificou mais de 50 vítimas, maioritariamente portuguesas e alemãs.

Segundo o DIAP, cerca de 600 mil euros já foram devolvidos voluntariamente a algumas das pessoas lesadas.

As autoridades mantêm apreendidos 31 mil euros em numerário e dois imóveis avaliados em cerca de 1,7 milhões de euros, alegadamente adquiridos com dinheiro proveniente da atividade criminosa.

O Ministério Público pediu agora que esses bens revertam a favor do Estado.

Uma arguida está em prisão preventiva

A principal arguida, uma agente imobiliária de nacionalidade alemã, encontra-se em prisão preventiva.

As outras três arguidas, solicitadoras de execução portuguesas, foram suspensas do exercício da profissão, medida que continua em vigor.