O caso remonta a 4 de agosto do ano passado. David Marinho, o arguido, tinha encontrado a ex-namorada, com quem namorou três anos, Ana Rita Dionísio, a ter relações sexuais com outro homem.
David, de 24 anos, foi agora ouvido em tribunal, onde confessou o crime e contou toda a sua versão da história, além de pedir desculpa à família de Ana Rita.
Ao que tudo indicava, a relação entre os dois já teria terminado. No entanto, David alega que não: após uma discussão dois meses antes do crime, o arguido foi viver para casa de familiares em Marco de Canaveses, mas, conta ele, visitava Ana Rita, de 26 anos, todos os dias.
No dia do crime, terá entrado em casa da rapariga com uma chave que "estava na caixa da luz". Quando a encontrou com outro homem, começou a gravá-los.
"Peguei no telemóvel para gravar, não acreditava no que estava a acontecer. Durante a nossa relação ela sempre desconfiou muito de mim, dizia que eu tinha outras pessoas e eu nunca tive. Naquele momento filmei porque era uma prova que eu tinha de que ela me estava a enganar", explicou.
Depois de os gravar, foi à cozinha da rapariga e levou duas facas para o quarto. "Fui em direção ao quarto, comecei a atacar o Guilherme. Fui só para cima dele, não o conhecia. Eu só o queria magoar, machucar, joguei para fora tudo o que estava dentro de mim. Caímos no chão. A Ana abriu a persiana para pedir ajuda e eu corri e fechei a janela", diz.
Guilherme, o homem com quem estava Ana Rita, foi empurrado para a casa de banho, tendo lá ficado enquanto Ana Rita tentava convencer David de que o amava, na tentativa de o fazer parar. "A Ana pediu-me para eu ligar para a ambulância, disse que o que aconteceu foi de momento, não significava nada para ela, que ela gostava era mesmo de mim, disse que me ia desculpar. Quando ouvi aquelas palavras fiquei mais enfurecido, disse que não ia ligar para a ambulância e que ela não me ia manipular novamente". Logo depois, esfaqueou Ana Rita 21 vezes.
"Ela estava sempre a dizer para eu ter calma, que gostava de mim, que não era nada do que tinha visto. Ela continuou a falar e eu perdi novamente o controlo, não queria que ela falasse mais, sabia que era tudo mentira, vi o quanto ela me tinha enganado o tempo todo. Ataquei-a, não sabia como a estava a atacar e onde. Só queria que ela se calasse. Eu fui para cima dela, ela ficou quieta e não falou mais", contou David. "O primeiro golpe foi nas costelas, depois ficou tudo branco", acrescentou.
O arguido confessou ainda que o que aconteceu foi um ato "tomado pela raiva", mostrando-se arrependido. "O que mais me consumiu não foi a traição, foi todos esses anos que passei com ela, em que constantemente eu mostrava tudo da minha vida, deixei tudo da minha vida, os meus objetivos, para fazer o que ela queria. Aquilo estava a corroer-me, o que eu estava a ver, a escutar. Eu não consegui sair da casa, simplesmente não consegui sair. Eu estava tomado pela raiva, sei que nada muda o que aconteceu, eu já estou a pagar pelo que fiz, sei que não dá para voltar atrás", confessou.
Após o crime, o jovem confessou tudo a um pastor da sua igreja e foi ainda ao trabalho informar que não iria comparecer no dia seguinte. Tentou fugir para o Brasil, onde nasceu, mas foi detido no aeroporto de Lisboa.
Está agora em prisão preventiva e acusado de dois crimes de homicídio, um na forma tentada e outro na forma consumada.