O mundo está hoje menos preparado para enfrentar uma nova pandemia do que estava antes da crise da covid-19. O alerta é deixado por um painel internacional de especialistas que avaliou a capacidade global de resposta a emergências sanitárias a pedido do Banco Mundial e da Organização Mundial de Saúde.
O relatório conclui que vários indicadores essenciais pioraram nos últimos anos, incluindo o acesso rápido a vacinas, meios de diagnóstico e tratamentos médicos.
O alerta surge numa altura em que novos surtos de Ébola e Hantavírus estão novamente a gerar preocupação internacional.
O que distingue o ébola, o hantavírus e a covid-19?
Embora todos sejam vírus capazes de provocar surtos graves, as formas de transmissão, os sintomas e os riscos são bastante diferentes.
Ébola
O ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados.
Entre os principais sintomas estão:
• Febre alta
• Hemorragias internas
• Vómitos e diarreia
• Falência de órgãos
A taxa de mortalidade pode chegar aos 90% em alguns surtos, tornando-o um dos vírus mais mortais conhecidos.
Hantavírus
O hantavírus é normalmente associado ao contacto com urina, saliva ou fezes de roedores infetados.
Pode provocar:
• Febre intensa
• Dores musculares
• Problemas respiratórios graves
• Insuficiência renal
Ao contrário da covid-19, o hantavírus não apresenta grande transmissão entre pessoas, mas pode tornar-se altamente perigoso em ambientes fechados.
Covid-19
A covid-19 destacou-se pela enorme facilidade de propagação entre humanos através do ar.
Apesar de apresentar uma taxa de mortalidade inferior à do ébola, espalhou-se rapidamente pelo planeta, provocando milhões de mortes e um impacto económico sem precedentes.
Porque dizem os especialistas que o mundo está mais vulnerável?
O relatório alerta que os surtos infecciosos estão a tornar-se mais frequentes e mais difíceis de controlar.
Segundo os especialistas, o risco de uma nova pandemia é real e poderá atingir um mundo mais dividido politicamente, mais endividado e menos preparado para proteger as populações.
Entre os principais fatores de risco identificados estão:
• Crescimento das viagens internacionais
• Tensões geopolíticas
• Alterações ambientais e destruição de ecossistemas
• Falta de investimento em prevenção
• Redução da ajuda internacional
“Uma década depois de o Ébola ter exposto falhas perigosas e seis anos após a covid-19 ter transformado essas falhas numa catástrofe global, o mundo continua vulnerável”, refere o relatório.
Vacinas continuam a chegar tarde aos países mais pobres
Os especialistas alertam também para o agravamento das desigualdades no acesso a vacinas e tratamentos.
O relatório recorda que as vacinas contra a varíola chegaram aos países mais pobres quase dois anos após o início do surto internacional, ainda mais tarde do que aconteceu durante a pandemia de covid-19.
O que defendem os especialistas?
O painel internacional identifica três prioridades urgentes:
• Criar um sistema independente de vigilância de pandemias
• Garantir financiamento permanente para prevenção
• Melhorar o acesso global a vacinas, testes e tratamentos
Os especialistas defendem ainda a conclusão de um acordo internacional sobre pandemias, embora as negociações continuem bloqueadas por divergências entre países.