quinta-feira, 11 jun. 2026

Não aprendemos nada com a covid-19? Especialistas dizem que o mundo está menos preparado para nova pandemia

O ébola, o hantavírus e a covid-19 não representam o mesmo perigo, mas todos estão a alarmar especialistas. Um novo relatório internacional explica as diferenças entre os vírus e porque o mundo pode estar menos preparado para a próxima pandemia.
Não aprendemos nada com a covid-19? Especialistas dizem que o mundo está menos preparado para nova pandemia

O mundo está hoje menos preparado para enfrentar uma nova pandemia do que estava antes da crise da covid-19. O alerta é deixado por um painel internacional de especialistas que avaliou a capacidade global de resposta a emergências sanitárias a pedido do Banco Mundial e da Organização Mundial de Saúde.

O relatório conclui que vários indicadores essenciais pioraram nos últimos anos, incluindo o acesso rápido a vacinas, meios de diagnóstico e tratamentos médicos.

O alerta surge numa altura em que novos surtos de Ébola e Hantavírus estão novamente a gerar preocupação internacional.

O que distingue o ébola, o hantavírus e a covid-19?

Embora todos sejam vírus capazes de provocar surtos graves, as formas de transmissão, os sintomas e os riscos são bastante diferentes.

Ébola

O ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados.

Entre os principais sintomas estão:

• Febre alta
• Hemorragias internas
• Vómitos e diarreia
• Falência de órgãos

A taxa de mortalidade pode chegar aos 90% em alguns surtos, tornando-o um dos vírus mais mortais conhecidos.

Hantavírus

O hantavírus é normalmente associado ao contacto com urina, saliva ou fezes de roedores infetados.

Pode provocar:

• Febre intensa
• Dores musculares
• Problemas respiratórios graves
• Insuficiência renal

Ao contrário da covid-19, o hantavírus não apresenta grande transmissão entre pessoas, mas pode tornar-se altamente perigoso em ambientes fechados.

Covid-19

A covid-19 destacou-se pela enorme facilidade de propagação entre humanos através do ar.

Apesar de apresentar uma taxa de mortalidade inferior à do ébola, espalhou-se rapidamente pelo planeta, provocando milhões de mortes e um impacto económico sem precedentes.

Porque dizem os especialistas que o mundo está mais vulnerável?

O relatório alerta que os surtos infecciosos estão a tornar-se mais frequentes e mais difíceis de controlar.

Segundo os especialistas, o risco de uma nova pandemia é real e poderá atingir um mundo mais dividido politicamente, mais endividado e menos preparado para proteger as populações.

Entre os principais fatores de risco identificados estão:

• Crescimento das viagens internacionais
• Tensões geopolíticas
• Alterações ambientais e destruição de ecossistemas
• Falta de investimento em prevenção
• Redução da ajuda internacional

“Uma década depois de o Ébola ter exposto falhas perigosas e seis anos após a covid-19 ter transformado essas falhas numa catástrofe global, o mundo continua vulnerável”, refere o relatório.

Vacinas continuam a chegar tarde aos países mais pobres

Os especialistas alertam também para o agravamento das desigualdades no acesso a vacinas e tratamentos.

O relatório recorda que as vacinas contra a varíola chegaram aos países mais pobres quase dois anos após o início do surto internacional, ainda mais tarde do que aconteceu durante a pandemia de covid-19.

O que defendem os especialistas?

O painel internacional identifica três prioridades urgentes:

• Criar um sistema independente de vigilância de pandemias
• Garantir financiamento permanente para prevenção
• Melhorar o acesso global a vacinas, testes e tratamentos

Os especialistas defendem ainda a conclusão de um acordo internacional sobre pandemias, embora as negociações continuem bloqueadas por divergências entre países.