quarta-feira, 22 jul. 2026

Nadadores-salvadores alertam para risco de afogamentos com onda de calor e pede avisos à população

A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores alerta que a subida acentuada das temperaturas nos próximos dias poderá aumentar o número de afogamentos em Portugal. A federação recomenda que a população privilegie praias vigiadas, evite banhos em rios e barragens sem vigilância e pede ao Governo que inclua este risco nas mensagens de proteção civil durante a onda de calor
Nadadores-salvadores alertam para risco de afogamentos com onda de calor e pede avisos à população

A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (Fepons) alertou esta terça-feira para o aumento do risco de afogamentos nos próximos dias, devido à onda de calor prevista para Portugal continental, e apelou às autoridades para que integrem este perigo nas mensagens de aviso dirigidas à população.

Em comunicado, a federação sublinha que a experiência recente de outros países europeus demonstra que os períodos de calor extremo levam um maior número de pessoas a procurar praias, rios, barragens, lagoas e piscinas para se refrescarem, aumentando significativamente o risco de acidentes, sobretudo em zonas sem vigilância.

Perante este cenário, a Fepons recomenda que os banhistas optem sempre por praias e zonas balneares vigiadas, evitando banhos em rios, barragens ou locais desconhecidos e sem nadadores-salvadores. A federação aconselha ainda que ninguém entre na água sozinho, reforçando a importância de estar sempre acompanhado.

Outro dos principais alertas diz respeito às crianças. Os nadadores-salvadores recordam que estas devem permanecer sob vigilância permanente, "sempre à distância de um braço", para reduzir o risco de acidentes.

A Fepons recomenda igualmente que sejam evitados mergulhos em locais desconhecidos e alerta para os perigos do consumo de álcool antes ou durante atividades aquáticas, lembrando que o calor extremo também constitui um fator de risco para o afogamento e que a prevenção começa antes da entrada na água.

Mais de 50 mortos por afogamento em França durante a onda de calor

Como exemplo do impacto das temperaturas elevadas, a federação refere o caso de França, onde a atual onda de calor já provocou mais de 50 mortes por afogamento.

Em Portugal, os números também continuam a preocupar. De acordo com dados divulgados pela Fepons há cerca de duas semanas, 57 pessoas morreram afogadas até 31 de maio, praticamente o mesmo número registado no período homólogo de 2024, quando se contabilizaram 58 vítimas mortais.

Segundo o Observatório do Afogamento da federação, o ano passado representou o pior período homólogo desde o início da série histórica, em 2017, o que demonstra que o problema continua a exigir medidas de prevenção e sensibilização.

Fepons pede inclusão do risco de afogamento nos avisos oficiais

Face às previsões meteorológicas, a Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores defende que o risco de afogamento deve passar a integrar as mensagens oficiais de proteção da população durante episódios de calor extremo, à semelhança dos alertas relacionados com incêndios rurais ou exposição solar.

O alerta surge numa altura em que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê um período prolongado de tempo muito quente e seco em Portugal continental.

Segundo o IPMA, as temperaturas máximas poderão atingir valores entre 40 e 43 graus no Vale do Tejo e no Alentejo a partir de quarta-feira, podendo estender-se posteriormente a outras regiões do país.

Perante este cenário, vários distritos encontram-se sob aviso amarelo, enquanto o Alentejo passará para aviso laranja a partir de quarta-feira. Na quinta-feira, este nível de aviso será também alargado aos distritos de Lisboa, Setúbal, Santarém e Leiria, devido à persistência das temperaturas muito elevadas.