segunda-feira, 13 abr. 2026

Mulheres estão em maioria mas continuam a existir assimetrias no emprego e nos salários

Portugal já supera metas internacionais de representação feminina em cargos de liderança empresarial e apresenta níveis de participação política acima da média europeia.
Mulheres estão em maioria mas continuam a existir assimetrias no emprego e nos salários

São mais de 5,6 milhões e representam a maioria da população residente em Portugal (52,2%). Nos últimos anos, as mulheres portuguesas reforçaram a liderança nas qualificações superiores e o espaço que ocupam em lugares de topo, mas persistem desigualdades nas condições de vida e no mercado de trabalho. Esta é um das conclusões do estudo da Pordata, no âmbito do Dia Internacional da Mulher.

 Os dados indicam que Portugal já supera as metas internacionais de representação feminina em cargos de liderança empresarial e apresenta níveis de participação política acima da média europeia, no entanto subsistem assimetrias no emprego e nos salários.

Aliás, o estudo revela que a educação foi a área que se registou o mais assinalável crescimento da representatividade das mulheres, em Portugal. “Em 1960, eram pouco mais de 3% as raparigas de 15 e 16 anos inscritas no ensino secundário, o equivalente a 37% do total de alunos neste nível de ensino. Entre 1972 e 1977, deu-se o maior salto na escolarização feminina, atingindo a paridade no secundário. Até 2007, antes do alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, a frequência do ensino secundário pelas raparigas tornou-se praticamente universal, algo que não aconteceu com os rapazes”, salienta. Já em relação ao ensino superior, as mulheres representam 58% dos diplomados.

No entanto, o documento chama a atenção para o facto de no emprego, as mulheres estarem  em minoria no mercado de trabalho, em todos os grupos etários dos 25 aos 64 anos, com diferenças acima dos 5 pontos percentuais a partir dos 35 anos. “Entre os trabalhadores menos escolarizados (com ensino básico), a diferença entre homens e mulheres chega a superar os 15 pontos percentuais, enquanto entre os trabalhadores mais escolarizados a diferença é sempre inferior a 4 pontos”, acrescenta.

E apesar das melhorias continua a existir disparidade salarial. Em 2024, os salários das mulheres a trabalhar nos setores da Indústria, Construção e Serviços (exceto Administração Pública e Defesa) eram 7% inferiores aos dos homens, a segunda mais baixa disparidade salarial desde 2006. A disparidade máxima (16%) foi atingida em 2015 e a mínima (6,3%) em 2022. “Desde 2018 que esta disparidade tem tido sempre menos de dois dígitos”, salienta.

Por outro lado, há uma maior percentagem de mulheres em situação de risco de pobreza ou exclusão social, em qualquer grupo etário, com uma diferença em relação aos homens que atinge os 7 pontos percentuais na população com 75 ou mais anos (29,3% nas mulheres face a 22,3% nos homens).

Quanto à liderança empresarial o documento reconhece que Portugal tem superado, desde 2022, as metas fixadas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em termos de representação feminina em estruturas de topo das empresas. Os dados mais recentes (2024) mostram que, nas empresas cotadas em bolsa, 34,8% dos cargos de direção (executivos e não executivos) são ocupados por mulheres, face à meta de 33% dos ODS e que 44,2% dos cargos de direção não executivos são ocupados por mulheres, face à meta de 40% dos ODS.

Em relação às lideranças políticas, em 2025, em Portugal, havia 38,8% de mulheres nos órgãos de Governo e 36,5% no Parlamento, valores acima da média europeia (31,9% e 33,6%, respetivamente).

No que diz respeito à esperança média de vida, em Portugal, tal como na União Europeia, as mulheres têm uma maior esperança média de vida à nascença do que os homens. “Essa esperança média de vida tem vindo a aumentar para ambos, ao longo dos anos, e, em 2024, era de 85,4 anos para as mulheres e de 79,8 anos para os homens. Estes valores são superiores aos da UE27: 84,4 anos para as mulheres e 79,2 para os homens. Desde 2015 que se observa uma tendência de aproximação, decorrente de um crescimento mais rápido da esperança média de vida masculina (aumentou 62 dias, em média, por ano) face à feminina (aumentou 35 dias, em média, por ano)”, salienta.

A expectativa para as mulheres nascidas em Portugal, em 2024, é de que apenas 58,3 dos 84,4 anos de esperança média de vida sejam vividos sem problemas de saúde. São menos 2,7 anos do que o previsto para os homens. Em sentido inverso, a média da União Europeia indica que as mulheres podem esperar viver mais anos de vida saudável do que os homens (63,3 anos e 62,8 anos, respetivamente).