A mulher acusada de tentar matar o pai à facada, em maio de 2025, no Porto, afirmou esta segunda-feira em tribunal não se lembrar do ataque e admitiu ter consumido grandes quantidades de álcool e medicamentos no dia dos factos.
Na primeira sessão do julgamento, que decorreu no Tribunal de São João Novo, no Porto, a arguida, de 29 anos e diagnosticada com distúrbios mentais, disse ter apenas “memórias muito confusas” sobre o sucedido.
Segundo a acusação do Ministério Público, a mulher terá atacado o pai no dia 27 de maio de 2025, cerca das 21h00, utilizando uma faca com uma lâmina de 17 centímetros.
De acordo com o processo, a vítima foi surpreendida pelas costas enquanto estava sentada no sofá da sala e golpeada várias vezes, escapando à morte por ter conseguido imobilizar a filha e pedir ajuda.
“O que aconteceu foi que eu tinha consumido uma quantidade ridícula de álcool nesse dia e ainda vários medicamentos”, declarou a arguida perante o coletivo de juízes.
A mulher explicou que passou o dia a ingerir bebidas alcoólicas, incluindo vodca e cerveja, e que saiu de casa para comprar mais álcool. Segundo relatou, quando regressou, o pai retirou-lhe a garrafa de vodca, após o que se dirigiu para o quarto.
Confrontada em tribunal com declarações prestadas após os factos, nas quais acusava o pai de abusos sexuais, a arguida afirmou que tais acusações eram falsas e garantiu não se recordar de as ter feito.
“Dava-me bem com o meu pai e jamais faria algo intencional para o ferir”, afirmou.
O irmão da arguida, ouvido como testemunha, confirmou que a irmã estava “completamente transtornada” no dia do ataque e relatou que também o acusou de ser violento na presença de agentes da PSP.
“Ela disse aquilo e depois também disse ao agente da PSP que estava lá para a proteger porque eu podia ser violento com ela. Estava visivelmente alterada”, contou.
A testemunha descreveu ainda problemas anteriores relacionados com o consumo de álcool e medicação, acrescentando que a irmã “não é uma pessoa violenta” e que ninguém antecipava um episódio desta gravidade.
Também a mãe da arguida prestou declarações em tribunal, descrevendo a filha como “bastante alterada” após os acontecimentos.
“Uma hora depois era como se não estivesse ali, ou não fosse ela”, afirmou.
Durante a sessão foi ainda ouvido um inspetor da Polícia Judiciária que esteve no local, relatando ter encontrado a arguida “sentada, de perna cruzada, como se nada tivesse acontecido”.
A defesa pediu que o julgamento decorresse à porta fechada e que a arguida fosse dispensada de comparecer nas restantes sessões.
O tribunal recusou o primeiro pedido, mas aceitou dispensar a presença da arguida.
Desde a data dos factos, a mulher encontra-se ao cuidado de uma instituição de saúde e sujeita a vigilância eletrónica.