sexta-feira, 15 mai. 2026

Mosquito transmissor de dengue já está presente em 28 concelhos de Portugal

Vigilância nacional deteta presença crescente do Aedes albopictus, com registos em Lisboa, Oeiras, Almada e Sesimbra em 2025
Mosquito transmissor de dengue já está presente em 28 concelhos de Portugal

O mosquito Aedes albopictus, transmissor de doenças como dengue, chikungunya, febre-amarela e Zika, foi detetado em 2025 em 28 concelhos de Portugal, incluindo Lisboa, Oeiras, Almada e Sesimbra. Os dados constam do mais recente Relatório REVIVE, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que confirma a expansão da espécie no território nacional.

O número representa um aumento face a 2024, quando a espécie invasora estava identificada em 18 concelhos, refletindo uma tendência de crescimento contínuo da sua presença em Portugal.

Segundo o relatório do INSA, foram realizadas colheitas de mosquitos em 243 concelhos no âmbito da Rede de Vigilância de Vetores (REVIVE), envolvendo as cinco regiões de saúde do continente e a Direção Regional de Saúde da Madeira. No total, foram identificados mais de 44 mil mosquitos de 22 espécies e cerca de 48 mil ovos de espécies invasoras.

Expansão do Aedes albopictus em Portugal

O Aedes albopictus foi identificado pela primeira vez no país em 2017, na região Norte, tendo-se expandido progressivamente para o Algarve, Alentejo, Lisboa e, mais recentemente, para a região Centro. Em 2025, a sua presença alargou-se a novos concelhos como Condeixa-a-Nova e Covilhã.

Apesar da expansão geográfica, o INSA sublinha que a maioria das análises a vírus potencialmente perigosos foi negativa. Ainda assim, foi detetado vírus da dengue serótipo 2 na Madeira, em amostras associadas ao Aedes aegypti, espécie presente no arquipélago desde 2005.

O relatório inclui ainda dados sobre outros vetores de doença em Portugal. No caso das carraças, foram identificados mais de 6.600 exemplares em 2025, com presença de bactérias associadas a doenças humanas, como Borrelia e Rickettsia.

Já nos flebótomos — insetos associados à transmissão da leishmaniose — foram recolhidos 1.448 exemplares, tendo sido ainda detetado o flebovírus Toscana, com potencial para provocar encefalites e meningites, em Pedrógão Grande e Resende.

Saúde pública sob vigilância reforçada

O INSA reforça que a monitorização contínua destes vetores é essencial para antecipar riscos de saúde pública, sobretudo num contexto de alterações climáticas que favorecem a expansão de espécies invasoras.

A presença crescente do Aedes albopictus em zonas urbanas e suburbanas continua a ser acompanhada pelas autoridades de saúde, num esforço conjunto para prevenir a eventual transmissão local de doenças tropicais em território nacional.