segunda-feira, 14 set. 2026

Morreu Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado. Tinha 69 anos

O antigo presidente da Cáritas Portuguesa liderou a instituição durante mais de duas décadas e dedicou grande parte da vida ao setor social e ao voluntariado. Esta quarta-feira foi vítima de uma paragem cardiorrespiratória.
Morreu Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado. Tinha 69 anos

Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado (CPV), morreu esta quarta-feira, aos 69 anos. A morte foi anunciada pelo cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, diocese à qual o antigo responsável da Cáritas Portuguesa esteve ligado durante décadas.

Segundo informação divulgada pela Agência Ecclesia, Eugénio Fonseca morreu vítima de paragem cardiorrespiratória.

A notícia surge poucos meses depois de o responsável ter assumido um papel ativo nas comemorações do Ano Internacional dos Voluntários, defendendo a importância do trabalho desenvolvido diariamente por milhares de pessoas em Portugal. Em janeiro, em declarações à Lusa citada pela RTP, tinha sublinhado a necessidade de dar maior visibilidade ao voluntariado e ao contributo das organizações da sociedade civil.

Mais de duas décadas à frente da Cáritas Portuguesa

Eugénio Fonseca teve uma longa ligação à Cáritas. Antes de chegar à direção nacional, presidiu à Cáritas Diocesana de Setúbal entre 1987 e 2016.

Em 1999, foi escolhido pela Conferência Episcopal Portuguesa para assumir a presidência da Cáritas Portuguesa, cargo que manteve até 2020. Foram mais de 20 anos à frente da instituição, num percurso marcado pela intervenção nas áreas da pobreza, exclusão social e apoio às populações mais vulneráveis.

"O seu percurso ficou indelevelmente marcado pelo serviço à Igreja e pela promoção de uma verdadeira cultura de solidariedade, proximidade e dignidade humana, vivida de modo muito especial através da missão da Cáritas.", pode ler-se na nota.

A saída da presidência da Cáritas Portuguesa não significou, contudo, o afastamento do setor social. Eugénio Fonseca manteve-se ligado ao voluntariado e continuou a desempenhar funções na Confederação Portuguesa de Voluntariado.

Presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado

Eugénio Fonseca era presidente da CPV, organização que representa entidades e organizações ligadas ao voluntariado em Portugal.

A própria Confederação recordou esta quarta-feira o seu percurso, destacando o seu compromisso com “uma sociedade mais humana e participativa” e afirmando que guardará “com gratidão” a sua memória e o legado deixado no voluntariado português.

A CPV tem defendido, entre outras matérias, melhores condições para o exercício do voluntariado e maior reconhecimento do contributo dos voluntários para a sociedade portuguesa.

Ainda este mês, poucos dias antes da sua morte, Eugénio Fonseca tinha criticado a forma como o Governo estava a organizar a área do voluntariado, defendendo que algumas decisões poderiam "desvirtuar a essência deste trabalho".

Uma vida dedicada à intervenção social

Ao longo do seu percurso, Eugénio Fonseca esteve ligado a várias estruturas de intervenção social e cívica.

Foi também membro do Conselho Económico e Social, integrou o Conselho Social da Universidade Lusíada e fazia parte do Conselho das Ordens de Mérito Civil da Presidência da República. Era licenciado em Ciências Religiosas pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

Em 1993, recebeu a Medalha de Honra da Cidade de Setúbal. Em 2007, foi condecorado pelo então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Ordem de Mérito, no grau de Grande-Oficial.