Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado (CPV), morreu esta quarta-feira, aos 69 anos. A morte foi anunciada pelo cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, diocese à qual o antigo responsável da Cáritas Portuguesa esteve ligado durante décadas.
Segundo informação divulgada pela Agência Ecclesia, Eugénio Fonseca morreu vítima de paragem cardiorrespiratória.
A notícia surge poucos meses depois de o responsável ter assumido um papel ativo nas comemorações do Ano Internacional dos Voluntários, defendendo a importância do trabalho desenvolvido diariamente por milhares de pessoas em Portugal. Em janeiro, em declarações à Lusa citada pela RTP, tinha sublinhado a necessidade de dar maior visibilidade ao voluntariado e ao contributo das organizações da sociedade civil.
Mais de duas décadas à frente da Cáritas Portuguesa
Eugénio Fonseca teve uma longa ligação à Cáritas. Antes de chegar à direção nacional, presidiu à Cáritas Diocesana de Setúbal entre 1987 e 2016.
Em 1999, foi escolhido pela Conferência Episcopal Portuguesa para assumir a presidência da Cáritas Portuguesa, cargo que manteve até 2020. Foram mais de 20 anos à frente da instituição, num percurso marcado pela intervenção nas áreas da pobreza, exclusão social e apoio às populações mais vulneráveis.
"O seu percurso ficou indelevelmente marcado pelo serviço à Igreja e pela promoção de uma verdadeira cultura de solidariedade, proximidade e dignidade humana, vivida de modo muito especial através da missão da Cáritas.", pode ler-se na nota.
A saída da presidência da Cáritas Portuguesa não significou, contudo, o afastamento do setor social. Eugénio Fonseca manteve-se ligado ao voluntariado e continuou a desempenhar funções na Confederação Portuguesa de Voluntariado.
Presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado
Eugénio Fonseca era presidente da CPV, organização que representa entidades e organizações ligadas ao voluntariado em Portugal.
A própria Confederação recordou esta quarta-feira o seu percurso, destacando o seu compromisso com “uma sociedade mais humana e participativa” e afirmando que guardará “com gratidão” a sua memória e o legado deixado no voluntariado português.
A CPV tem defendido, entre outras matérias, melhores condições para o exercício do voluntariado e maior reconhecimento do contributo dos voluntários para a sociedade portuguesa.
Ainda este mês, poucos dias antes da sua morte, Eugénio Fonseca tinha criticado a forma como o Governo estava a organizar a área do voluntariado, defendendo que algumas decisões poderiam "desvirtuar a essência deste trabalho".
Uma vida dedicada à intervenção social
Ao longo do seu percurso, Eugénio Fonseca esteve ligado a várias estruturas de intervenção social e cívica.
Foi também membro do Conselho Económico e Social, integrou o Conselho Social da Universidade Lusíada e fazia parte do Conselho das Ordens de Mérito Civil da Presidência da República. Era licenciado em Ciências Religiosas pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.
Em 1993, recebeu a Medalha de Honra da Cidade de Setúbal. Em 2007, foi condecorado pelo então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Ordem de Mérito, no grau de Grande-Oficial.