Montenegro admite novas roturas no dique do Mondego e pede respeito pelas instruções das autoridades

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também centenas de feridos e desalojados
Montenegro admite novas roturas no dique do Mondego e pede respeito pelas instruções das autoridades

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu esta quarta-feira a possibilidade de novas roturas no dique nas margens do rio Mondego, junto a Coimbra, e apelou aos cidadãos para que adotem comportamentos responsáveis e cumpram as instruções das autoridades.

O chefe do Governo falava numa conferência de imprensa na Proteção Civil de Coimbra, depois de ter rebentado um dique na margem direita do Mondego, na zona de Casais, junto ao viaduto da autoestrada 1 (A1). Montenegro alertou que poderão ocorrer novas falhas na estrutura, com potenciais impactos nas populações mais expostas às cheias.

“Isto provocará naturalmente um efeito de cheia, que será um efeito lento, que já está a começar a atingir populações, quer no concelho de Coimbra, quer de Montemor-o-Velho. Por isso, não quero deixar de alertar para a possibilidade de outras roturas poderem vir a acontecer nas próximas horas”, afirmou.

O primeiro-ministro sublinhou que os cidadãos devem respeitar as orientações das autoridades, nomeadamente se lhes for pedido que abandonem as habitações, apesar dos incómodos que tal decisão implica. “As autoridades estão mesmo a tratar da segurança das pessoas em primeiro lugar e, naturalmente, também da segurança dos seus bens”, disse, lembrando que “temos ainda pela frente horas de precipitação intensa”.

Montenegro referiu ainda que poderá verificar-se um desagravamento da chuva na quinta-feira, mas advertiu que isso não elimina a necessidade de vigilância, uma vez que está prevista nova precipitação forte na noite de quinta para sexta-feira, o que poderá comprometer a resistência do dique que liga Coimbra à Figueira da Foz.

O primeiro-ministro elogiou a atuação preventiva das autoridades e autarcas, garantindo que “todo o dispositivo” do Estado está mobilizado no terreno. “É uma situação muito exigente, temos noção disso, mas quero deixar uma palavra de tranquilidade e serenidade, porque toda a cooperação e articulação entre as forças está a acontecer”, afirmou.

A1 cortada e situação sob monitorização

Também esta quarta-feira, o comandante nacional da Proteção Civil assegurou que a situação está a ser permanentemente monitorizada e que, para já, não há “impactos significativos em povoações”.

Mário Silvestre explicou que a rutura ocorreu pelas 18:00, na zona de Casais, junto ao viaduto da A1, na margem direita do Mondego. Devido ao potencial comprometimento dos pilares da autoestrada, a A1 foi cortada nos dois sentidos, estando o trânsito a ser desviado.

Segundo o responsável, a água está a escoar sobretudo para campos agrícolas e os meios necessários encontram-se posicionados no terreno. A evolução da situação será reavaliada nas próximas horas, não sendo excluída a retirada de mais populações, caso se justifique.

Durante a noite de terça-feira e na manhã desta quarta-feira foram realizadas evacuações preventivas nas zonas ribeirinhas das margens esquerda e direita do Mondego, na região de Coimbra.

“O risco de arrebentamento nunca será zero”, alertou o comandante, face às descargas e afluências registadas no rio.

Risco mantém-se apesar de eventual desagravamento

Apesar da previsão de um “pequeno desagravamento” da precipitação, a Proteção Civil alerta que a situação hidrológica continuará crítica, com risco de cheias e derrocadas.

Estão sob vigilância vários rios, incluindo o Mondego, Tejo, Sorraia, Vouga, Águeda, Sado, Minho, Cávado, Lima, Douro, Tâmega, Sousa, Nabão e Guadiana. O plano especial da bacia do Tejo encontra-se no nível vermelho.

Desde 1 de fevereiro foram registadas 15.640 ocorrências, mobilizando 53.737 operacionais e 21.767 meios. As quedas de árvores (4.655) e as inundações (4.420) são as situações mais frequentes, seguindo-se 2.366 movimentos de massa.

No total, estão ativados 12 planos distritais e 125 planos municipais de emergência, além de 15 declarações de situação de alerta emitidas por municípios.

16 mortos e milhares de afetados

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também centenas de feridos e desalojados. A vítima mais recente foi um homem de 72 anos que caiu a 28 de janeiro enquanto reparava um telhado, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro nos Hospitais da Universidade de Coimbra.

As principais consequências do temporal incluem a destruição de casas, empresas e equipamentos, queda de árvores e estruturas, encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, além de cortes de energia, água e comunicações. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoio até 2,5 mil milhões de euros.