O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, exigiu esta terça-feira ao Governo que concretize o reforço policial prometido para a capital, que prevê a entrada de 200 novos agentes da PSP e 100 polícias municipais.
“Chegou a hora” de cumprir a promessa, afirmou o autarca, mais de três meses depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter anunciado o reforço dos comandos metropolitanos da PSP de Lisboa e do Porto.
“Este Governo prometeu-me 200 polícias de segurança pública a mais em Lisboa, ainda não temos nenhum, prometeu 100 polícias municipais, também ainda não temos nenhum”, afirmou Moedas aos jornalistas, à margem da cerimónia do Dia Municipal do Bombeiro, no Chiado.
O presidente da Câmara de Lisboa revelou que já falou com o ministro da Administração Interna, Luís Neves, que lhe terá garantido que o processo iria avançar.
“Continuamos aqui à espera e é essencial”, afirmou, acrescentando: “Chegou a hora de concretizar essa promessa.”
«Segurança resolve-se com mais polícias permanentemente na rua»
Moedas reconheceu que tem sido visível algum reforço policial na Baixa de Lisboa, na sequência de uma ocorrência em que uma turista foi atingida por uma bala perdida durante um desacato entre dois grupos.
O autarca considerou, contudo, que medidas pontuais não são suficientes.
“Não é com um reforço que vamos resolver a situação, a situação da segurança resolve-se com mais polícias permanentemente na rua”, defendeu.
Carlos Moedas voltou também a considerar “inaceitável” que o autor do disparo que atingiu a turista não esteja na prisão, defendendo uma justiça “mais forte” nestes casos.
O presidente da Câmara rejeitou, contudo, qualquer interferência no poder judicial e insistiu na necessidade de reforçar simultaneamente os meios policiais e o enquadramento legal.
“Precisamos de uma cidade com lei e ordem e essa lei e ordem depende de mais polícia, mas também depende de uma lei que seja firme na área da segurança”, afirmou.
Moedas volta a reunir-se com ministro da Administração Interna
O autarca adiantou que deverá reunir-se novamente com o ministro da Administração Interna esta semana.
Na próxima semana está também prevista uma reunião restrita do Conselho Municipal de Segurança, com a participação da PSP e da Polícia Municipal e do próprio presidente da Câmara.
Questionado sobre as polémicas que têm envolvido Luís Neves, Moedas afirmou esperar que o ministro esteja “focalizado no necessário” e defendeu que deve continuar em funções, numa altura em que Portugal atravessa a época de incêndios.
“Tem de estar em funções”, afirmou.
38 anos do incêndio do Chiado
As declarações de Carlos Moedas foram feitas durante a cerimónia do Dia Municipal do Bombeiro, realizada na Rua do Carmo.
O momento incluiu uma homenagem às vítimas do incêndio do Chiado, que deflagrou na madrugada de 25 de agosto de 1988, junto aos antigos Armazéns Grandella.
A tragédia, que completa esta terça-feira 38 anos, provocou duas mortes, entre as quais a do bombeiro sapador Joaquim Ramos, e deixou 73 feridos, a maioria bombeiros.
O incêndio destruiu 18 edifícios e cerca de 100 lojas, deixando uma marca profunda na história recente da capital.