terça-feira, 09 jun. 2026

Ministro da Administração Interna expulsou 44 elementos da PSP e GNR em menos de três meses

Em causa estão crimes como corrupção, violência doméstica, tráfico humano e abuso sexual. Governo promete “tolerância zero”
Ministro da Administração Interna expulsou 44 elementos da PSP e GNR em menos de três meses

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afastou de funções ou expulsou 44 elementos das forças de segurança em menos de três meses, revelou esta sexta-feira o Ministério da Administração Interna (MAI).

Desde que tomou posse, a 23 de fevereiro, o governante assinou 44 despachos relacionados com a aplicação de penas disciplinares expulsivas e suspensões a elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Do total, 30 dizem respeito a militares da GNR e 14 a agentes da PSP.

Os processos disciplinares estão relacionados com crimes como peculato, violência doméstica, burla, ofensas à integridade física, abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, branqueamento de capitais, corrupção, tráfico de influências, tráfico de seres humanos, sequestro e abuso de poder.

No caso da Guarda Nacional Republicana, 16 militares foram alvo de suspensão preventiva, 12 receberam pena de separação de serviço — equivalente à expulsão — e dois tiveram dispensa de serviço.

Já na Polícia de Segurança Pública, o ministro determinou a demissão de nove agentes, a aposentação compulsiva de quatro e a suspensão de um elemento.

Há cerca de duas semanas, no Parlamento, Luís Neves já tinha anunciado que iria adotar uma postura de “grande firmeza” perante comportamentos desviantes nas forças de segurança, revelando então a assinatura de vários despachos de expulsão.

Na altura, o Ministério da Administração Interna tinha divulgado o afastamento de 20 elementos da PSP e da GNR.

Mais recentemente, o MAI anunciou também a suspensão de 10 militares da GNR e de um agente da PSP envolvidos na operação Operação Safra Justa, relacionada com o desmantelamento de uma alegada rede de tráfico de imigrantes no Alentejo.

Os novos números são conhecidos numa semana marcada pela detenção de 24 agentes da PSP, 15 dos quais detidos nos últimos dias, suspeitos de envolvimento em alegados casos de tortura e violações contra pessoas vulneráveis, incluindo toxicodependentes e sem-abrigo, em esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa.

Segundo as autoridades, as vítimas seriam maioritariamente cidadãos estrangeiros, tendo as suspeitas sido denunciadas pela própria Polícia de Segurança Pública.