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Conheceu novos desenvolvimentos esta semana a tese do ministro Luís Neves de que a investigação jornalística SOL/TVI/CNN Portugal, sobre as presumíveis irregularidades que cometeu quando era diretor nacional da Polícia Judiciária, inclui factos falsos e põe em causa a sua honra e dignidade.
Em consequência desta interpretação, Luís Neves vai processar estes três órgãos de comunicação social. A novidade foi transmitida numa resposta escrita à nossa investigação, na última quarta-feira à tarde.
Segundo Luís Neves, que pela primeira vez desde o início deste caso respondeu por escrito na primeira pessoa, «importa assinalar que a TVI/CNN Portugal e o Nascer do SOL têm vindo a divulgar informações falsas, designadamente quanto aos valores efetivamente pagos pela aquisição dos imóveis», isto é, as propriedades que Neves e a família compraram na freguesia de São Teotónio, concelho de Odemira.
«Chegaram mesmo a identificar como pertencendo-me imóveis urbanos que não são da minha propriedade, procurando, dessa forma, construir uma representação falsa do meu património e sustentar uma alegada incongruência financeira e patrimonial que não existe», prosseguiu o ex-diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026.
«Estas informações, pela sua falsidade e pela forma reiteradamente enviesada como foram apresentadas, induzem em erro leitores e telespectadores. Assim sendo, estas e outras situações falsamente criadas, serão objeto das competentes ações judiciais», anunciou.
«Está assim posta em causa a minha honra e dignidade, bem como a da minha família, pela divulgação de factos falsos e deturpados, o que é condenável», concluiu.
Em face da ameaça de processos judicias, a nossa equipa de investigação interrogou o titular da pasta da Administração Interna sobre quais os erros em concreto publicados quanto a valores pagos pela aquisição dos montes alentejanos, já que todos os dados reproduzidos nas nossas notícias, e que voltámos a conferir agora, são exatamente os que constam nas escrituras públicas de que obtivemos cópia junto do cartório da notária Ana Paula Vasques, em Odemira. Até à hora de fecho desta edição, Luís Neves não tinha dado resposta.
Também questionámos o ministro sobre se poderia identificar com rigor que referências erradas a imóveis urbanos foram feitas pela nossa investigação. Não obtivemos resposta, o que não permite verificar a sua alegação.
Por fim, perguntámos se as «competentes ações judiciais» serão desencadeadas a título pessoal ou na qualidade de ministro e se as despesas serão pagas pelo próprio ou pelo Ministério da Administração Interna. Também ficámos sem réplica até ao fecho desta edição.
As queixas de Luís Neves não são de agora. Praticamente desde o início desta investigação, cuja primeira notícia saiu no SOL de 10 de julho, o ministro tem classificado este escrutínio jornalístico como um ataque.
«Nos últimos dias tenho vindo a ser alvo de ataques que colocam em causa a minha honra e dignidade, os valores mais sagrados que qualquer pessoa tem», afirmou em 21 de julho.
Na conferência de imprensa de 29 de julho, em que prometia esclarecer tudo «ponto por ponto», Neves descreveu a investigação jornalística como «acusações de extrema gravidade» que «atingem a minha honra e põem em causa três décadas dedicadas ao combate ao crime organizado e à criminalidade especialmente grave e violenta».