quarta-feira, 22 jul. 2026

Ministro admite indícios de origem criminosa no incêndio de Vouzela

O ministro da Administração Interna garante que o dispositivo de combate aos incêndios está concentrado no fogo de Vouzela, que já mobiliza cerca de mil operacionais. Luís Neves afirma que existem indícios de que a ignição teve origem criminosa
Ministro admite indícios de origem criminosa no incêndio de Vouzela

O ministro da Administração Interna afirmou esta sexta-feira que o incêndio de Vouzela é, neste momento, a principal preocupação das autoridades, revelando que o dispositivo nacional de combate aos fogos rurais está concentrado no teatro de operações, onde existem fortes indícios de origem criminosa na ignição.

À margem da cerimónia de encerramento da componente teórica do 16.º Curso de Controlo de Fronteiras Aéreas da PSP, em Torres Novas, Luís Neves explicou que a estratégia passa por assegurar um ataque inicial rápido aos incêndios que deflagram em diferentes pontos do país, permitindo concentrar os meios disponíveis no incêndio que lavra nos distritos de Viseu e Aveiro.

"Estamos muito concentrados neste grande incêndio que já atinge vários concelhos" e o objetivo é "circunscrever este grande incêndio", afirmou o governante.

Fogo mobiliza cerca de mil operacionais

O incêndio deflagrou às 03h04 desta sexta-feira, na localidade de Tourelhe, no concelho de Vouzela, tendo rapidamente alastrado à Serra do Caramulo.

As chamas obrigaram à evacuação de duas aldeias no concelho de Tondela e mobilizavam, ao início da tarde, cerca de mil operacionais, apoiados por meios terrestres, maquinaria pesada e meios aéreos.

Segundo o ministro, o combate tem sido dificultado pelo vento forte e muito instável, bem como pela baixa humidade do ar, embora a previsão aponte para uma diminuição da intensidade do vento ao longo do dia, permitindo uma atuação mais eficaz dos bombeiros.

"O país está preparado. Estamos em situação de alerta", assegurou Luís Neves, sublinhando que existe uma coordenação "muito alinhada" entre todas as entidades envolvidas no dispositivo de combate aos incêndios rurais.

O governante destacou ainda que a maioria das ignições registadas nos últimos dias tem sido rapidamente dominada graças à eficácia do ataque inicial.

Ministro aponta para origem criminosa

Questionado sobre as causas do incêndio, Luís Neves afirmou que os primeiros elementos recolhidos apontam para uma possível origem criminosa.

"Não é de noite que há condições para o surgimento de ignições e logo duas ignições por volta das 02h00, 03h00 da manhã", declarou, citado pela agência Lusa.

Para o ministro, "tudo indicia que houve, de facto, um comportamento de mão humana, um comportamento criminoso", ressalvando, contudo, que a investigação às causas do incêndio prossegue.

País mantém-se em situação de alerta

Recorde-se que o Governo decretou, na quinta-feira, a situação de alerta para todo o território continental entre sexta-feira e segunda-feira, devido ao agravamento do risco de incêndio rural provocado pelas temperaturas elevadas, baixa humidade e vento forte.

A medida determina o reforço da prontidão operacional dos agentes de proteção civil e impõe várias restrições em zonas florestais, numa altura em que Portugal atravessa uma onda de calor com condições meteorológicas particularmente favoráveis à propagação de incêndios.