terça-feira, 18 ago. 2026

Ministra da Saúde diz que triagem do SNS24 reduziu idas às urgências até 40%

A ministra da Saúde garante que o abandono nas urgências e o tempo global de espera diminuíram, enquanto a triagem através do SNS24 terá reduzido entre 20% e 40% as idas aos serviços de urgência. Ana Paula Martins admite, contudo, constrangimentos no verão, sobretudo em zonas de maior pressão
Ministra da Saúde diz que triagem do SNS24 reduziu idas às urgências até 40%

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, revelou esta quarta-feira que o índice de abandono nas urgências diminuiu, assim como o tempo global de espera, destacando ainda uma redução entre 20% e 40% nas idas aos serviços de urgência através da triagem do SNS24.

"Globalmente, os nossos indicadores de urgência são, de facto, melhores. Temos menos pessoas a ir à urgência, reduzimos em cerca de 20 a 30%, nalguns casos em 40%, com a triagem com o SNS24", afirmou a governante.

Ana Paula Martins reconheceu, contudo, que a evolução não é igual em todas as situações. Apesar de o tempo de espera ter diminuído globalmente, há casos em que a redução foi menos significativa, nomeadamente entre os doentes mais complexos.

A ministra explicou que o aumento da complexidade dos casos contribuiu para uma subida da taxa de internamento entre os doentes que recorrem às urgências.

Segundo a governante, registam-se também "menos situações de contingência", nas quais os serviços de urgência recebem apenas doentes encaminhados pelo Centro Operacional de Doentes Urgentes (CODU). Ainda assim, Ana Paula Martins avisou que continuam a existir constrangimentos e antecipou dificuldades durante o mês de agosto, quando cerca de 30% das equipas estarão de férias.

"O planeamento, posso garantir aos portugueses, foi feito com todo o rigor, dentro dos recursos humanos que nós temos, com escalas que naturalmente vão sendo adaptadas semana a semana", afirmou, citada pela agência Lusa.

A ministra admitiu, porém, que existem "zonas de maior pressão", apontando como exemplo o Algarve, região onde a resposta dos serviços de saúde enfrenta habitualmente uma maior procura durante o verão.

Ministra rejeita falta de macas em Portimão

Questionada sobre a situação das urgências no Algarve, nomeadamente em Portimão, Ana Paula Martins rejeitou que exista falta de macas.

"Nós temos muitas macas, nós compramos macas todos os anos. O que nós temos, por vezes, é um tempo que transcende os 30, 40 ou 50 minutos para a triagem e isso tem que ver com o espaço que temos na urgência", explicou.

A ministra abordou também a situação da urgência de Obstetrícia de Almada, recusando que o serviço tenha encerrado.

"O que aconteceu, e acontecerá mais alguns dias, esperamos que poucos, (…) é que há dias em que estamos numa situação de contingência, (…) abertos para CODU", esclareceu.

Governo prepara concentração de urgências

Sobre a reorganização e concentração das urgências, Ana Paula Martins adiantou que, durante o segundo semestre, deverão avançar outros casos, não apenas na área da obstetrícia.

A proposta deverá ser apresentada em setembro e prevê a criação de soluções com urgências metropolitanas e regionais, no âmbito da reorganização da rede de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A propósito da rede de referenciação das urgências, a ministra defendeu ainda uma revisão da composição das equipas, considerando que esta deve acompanhar as melhores práticas internacionais.

"Tem que ser revista à luz da melhor prática europeia", afirmou Ana Paula Martins.

A ministra garantiu, assim, que os indicadores globais das urgências apresentam uma evolução positiva, mas reconheceu que persistem dificuldades em determinadas regiões e antecipou um período de maior pressão durante o verão, devido à redução temporária dos recursos humanos disponíveis.