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A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu esta quarta-feira que poderão ocorrer constrangimentos no funcionamento das urgências hospitalares durante o verão, apesar do planeamento realizado pelas unidades locais de saúde (ULS), sublinhando que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrenta uma insuficiência estrutural de profissionais.
"Nunca poderia garantir que o verão vai ser tranquilo. Nenhum verão na saúde se pode dizer tranquilo", afirmou a governante, à margem da inauguração da nova Unidade de Saúde Familiar (USF) de Alpiarça.
Segundo Ana Paula Martins, o verão constitui um período particularmente exigente para o SNS, uma vez que à escassez de recursos humanos se somam as férias dos profissionais de saúde.
"Precisaríamos do dobro dos profissionais"
A ministra explicou que, para assegurar o funcionamento das urgências com a resposta desejada, o SNS necessitaria de muito mais profissionais.
"Para manter as urgências a funcionar com toda a consistência e a plenitude que precisaríamos, teríamos de ter o dobro dos equivalentes de tempo completo, ou seja, dos profissionais que temos, e isso não existe e não vai acontecer", afirmou, citada pela agência Lusa.
De acordo com a governante, as escalas são elaboradas tendo em conta os recursos indispensáveis para garantir a segurança da prestação de cuidados, mas qualquer ausência inesperada pode comprometer a resposta das equipas.
"Se temos, de repente, um médico que tem um problema ou que fica doente, ou tem uma questão familiar e não pode vir, a escala fica afetada e, às vezes, não conseguimos substituí-lo", explicou.
Ainda assim, destacou o trabalho desenvolvido pelas administrações das ULS, diretores clínicos e enfermeiros gestores para encontrar soluções que evitem o encerramento dos serviços de urgência.
Ana Paula Martins salientou que, durante os feriados de junho, não se verificaram os constrangimentos registados em anos anteriores, quando chegaram a existir "10 ou 12 urgências verdadeiramente fechadas".
Apesar disso, reconheceu que o atual período de verão é "muitíssimo difícil" e alertou que "até o melhor planeamento pode ser interrompido por imponderáveis".
Ministra reconhece erros em despacho sobre vias verdes do AVC
Na mesma ocasião, Ana Paula Martins comentou a polémica em torno do despacho do Ministério da Saúde relativo às equipas envolvidas nas vias verdes do acidente vascular cerebral (AVC), assumindo a responsabilidade pelo documento publicado em 29 de junho.
"O despacho, na verdade, fui eu que o assinei, por isso naturalmente tenho que ser eu a responder por ele. Não devia ter sido publicado com aquele conteúdo", declarou.
A ministra reconheceu a existência de "lapsos importantes", relacionados quer com a organização das equipas de prevenção, quer com a tabela remuneratória dos procedimentos, questões que motivaram críticas por parte de profissionais das áreas da neurorradiologia, cardiologia e radiologia de intervenção.
"Têm razão em variadíssimas coisas", admitiu.
Segundo a governante, já decorreram reuniões com a Ordem dos Médicos e com os profissionais envolvidos, estando atualmente em curso a revisão do diploma.
O objetivo, adiantou, é alcançar nas próximas duas a três semanas uma nova versão "equilibrada, segura e que continue a assegurar as nossas vias verdes que tantas vidas salvam".
Ainda sem balanço sobre impacto da onda de calor
Questionada sobre os efeitos da atual onda de calor na mortalidade, Ana Paula Martins afirmou que ainda é demasiado cedo para fazer uma avaliação.
"A onda de calor ainda não terminou", referiu, explicando que apenas nas semanas seguintes será possível analisar os dados e perceber se as temperaturas extremas tiveram impacto no número de mortes registadas em Portugal.