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O Ministério Público (MP) decidiu, por agora, não delegar na Polícia Judiciária (PJ) a investigação relacionada com o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga e encontrado junto a um camião da empresa Construbarcelos, que realizou obras numa propriedade do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
À agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu que o inquérito relativo aos bens apreendidos no âmbito da "Operação Pacoba" está a ser conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.
A investigação "encontra-se a cargo do Ministério Público deste departamento e não será, por ora, delegada em qualquer órgão de polícia criminal", precisou a PGR.
A decisão significa que, nesta fase, o Ministério Público mantém diretamente a condução do inquérito, não tendo atribuído à PJ a investigação relacionada com as circunstâncias em que o atrelado foi movimentado e acabou por ser encontrado em Barcelos.
PJ abriu inquérito sobre movimentação do atrelado
A Polícia Judiciária anunciou, na passada sexta-feira, a abertura de um inquérito próprio para esclarecer as circunstâncias relacionadas com o atrelado apreendido no âmbito de um processo de tráfico de estupefacientes.
Segundo a PJ, a direção nacional teve conhecimento de que uma "galera" apreendida num inquérito relacionado com tráfico de droga tinha sido movimentada e parqueada em Barcelos.
Perante essa informação, a polícia instaurou um inquérito "para apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos".
A PJ confirmou ainda que o atrelado se encontrava estacionado em Barcelos e "atracado a um camião da empresa Construbarcelos".
Por se tratar de um bem apreendido, o veículo ficou novamente à guarda da Polícia Judiciária, assim como os produtos que transportava. A polícia esclareceu, contudo, que esses produtos "não têm natureza estupefaciente".
Caso envolve empresa que realizou obras para Luís Neves
A polémica em torno do ministro da Administração Interna surgiu a 10 de julho, depois de o semanário Nascer do Sol noticiar que Luís Neves contratou a Construbarcelos para realizar obras de remodelação num imóvel que possui em Odemira.
A empresa tinha anteriormente realizado trabalhos para a Polícia Judiciária durante o período em que Luís Neves era diretor nacional daquela força policial.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos.
O valor foi posteriormente confirmado pelo próprio ministro da Administração Interna, numa entrevista à TVI/CNN.
O caso passou a envolver duas investigações distintas: por um lado, o inquérito do Ministério Público relacionado com os bens apreendidos no âmbito da "Operação Pacoba"; por outro, o inquérito aberto pela Polícia Judiciária para apurar as circunstâncias em que o atrelado apreendido foi movimentado e acabou por ser encontrado junto a um veículo da Construbarcelos.
Para já, a PGR esclarece que a investigação do MP permanece no DIAP de Lisboa e não foi, nesta fase, delegada na Polícia Judiciária.