O Ministério Público(MP) acusou onze bombeiros voluntários da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Fundão por alegados crimes de violação e coação sexual contra um jovem de 19 anos.
Segundo a acusação, os factos terão ocorrido em duas ocasiões distintas, na parte da manhã e da noite de dia 6 de setembro de 2025, no interior do quartel, no distrito de Castelo Branco. Os arguidos, com idades entre os 22 e os 53 anos, entre os quais um chefe e um subchefe, terão importunado sexualmente a vítma, que tentou reagir, mas alguns dos outros colegas impediram-no.
A vítima, apesar de "ter sentido dor e desconforto", por "vergonha" não relatou o episódio a ninguém, pode ler-se na acusação a que a Lusa teve acesso.
Os factos repetiram-se quando o jovem voltou para iniciar o turno da noite. "Alguns dos arguidos levaram-no à força para a antiga camarata feminina, ao lado da sala de piquete", tentou mostrar resistência, mas não conseguiu. A acusação refere ainda que "alguns colegas assistiram e nada fizeram".
A vítima deixou de frequentar o quartel por estar aterrorizado.
Acusação envolve 11 arguidos
Cinco dos arguidos respondem, em coautoria, por dois crimes de violação e um de coação sexual, outros cinco, também em coautoria, respondem por um crime de violação e um de coação sexual, estando o último arguido acusado de um crime de violação na forma tentada.
José Sousa, o comandante, apresentou a demissão, tendo garantido à população que nunca tinha tido conhecimento "de quaisquer atos semelhantes por parte dos arguidos, dentro ou fora da instituição".
O MP considera que os arguidos "agiram de forma livre, voluntária, deliberada e consciente."
Os onze arguidos proibidos de contactar a alegada vítima, por qualquer meio, ou de se aproximarem a menos de 500 metros, bem como de estabelecer contacto entre si — com exceção de dois arguidos que são irmãos. Estão ainda obrigados a apresentações semanais no posto da GNR da área de residência e mantêm a proibição de entrar ou frequentar o quartel dos Bombeiros Voluntários do Fundão. A única exceção prevista aplica-se a situações de emergência devidamente fundamentadas e autorizadas pela hierarquia, quando esteja em causa a proteção das populações.
Na acusação, o Ministério Público justifica igualmente a necessidade de manter estas medidas com a existência de uma mensagem encontrada no telemóvel de um dos arguidos. Nessa conversa, alegadamente trocada com a namorada, pode ler-se a seguinte questão: "Se todos se unirem e disserem que não viram nada, como é que o processo pode ir para a frente?".
Além disso, o Ministério Público requer que, caso os bombeiros venham a ser condenados a penas de prisão iguais ou superiores a três anos, seja ordenada a recolha de amostras de ADN para inserção na base de dados nacional.