quarta-feira, 22 jul. 2026

Ministério Público acusa grupo neonazi de seguir passos de Montenegro. AML chegou a pensar sequestrar o primeiro-ministro

Acusação conhecida esta quinta-feira revela que elementos do Movimento Armilar Lusitano terão obtido dados sobre a residência e rotinas de Luís Montenegro. Grupo tinha uma lista de figuras públicas identificadas como possíveis alvos.
Ministério Público acusa grupo neonazi de seguir passos de Montenegro. AML chegou a pensar sequestrar o primeiro-ministro

O Ministério Público acusou esta quinta-feira nove suspeitos de integrarem o Movimento Armilar Lusitano (MAL), um grupo de inspiração neonazi que, segundo a investigação, terá equacionado um ataque contra o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

De acordo com a acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), os elementos do grupo recolheram informações sobre a residência do chefe do Governo e discutiram possíveis formas de o atingir, incluindo um ataque à sua habitação em Lisboa, segundo o Correio da Manhã, que teve acesso aos detalhes do processo.

Agente da PSP terá obtido dados sobre a morada do primeiro-ministro

Segundo o Ministério Público, um dos arguidos, Bruno Gonçalves, agente da PSP atualmente em prisão preventiva, terá conseguido obter a morada de Luís Montenegro através de informação consultada no sistema da Polícia Municipal de Lisboa, onde estava colocado.

A acusação refere que o suspeito partilhou esses dados com outros membros do grupo numa plataforma online, escrevendo: “Consegui a morada de um certo atual primeiro-ministro, aquele conhecido pelo Monstro Negro”.

A investigação sustenta que essa informação foi posteriormente discutida entre elementos do MAL, que analisaram diferentes hipóteses de atuação.

Grupo afastou sequestro e discutiu ataque com granada

Na acusação, o Ministério Público descreve conversas entre membros do grupo onde surge a possibilidade de realizar um ataque contra a residência do primeiro-ministro.

Depois de considerarem a hipótese de um sequestro, os suspeitos terão colocado essa opção de lado e discutido outras formas de ação. Um dos excertos incluídos no processo refere: “Sequestro é para esquecer, mas uma granada de 37mm disparada por uma janela adentro não está fora do ementa”.

Segundo o MP, estas conversas fazem parte dos elementos recolhidos durante a investigação ao grupo.

Montenegro fazia parte de lista de figuras identificadas pelo MAL

Luís Montenegro surge entre as personalidades que, segundo a acusação, foram alvo de recolha de informação por parte do grupo.

O Ministério Público refere que os membros do MAL “catalogaram e/ou recolheram informações” sobre pessoas que consideravam “ameaças ou alvos”.

Na lista identificada pela investigação aparecem também nomes como Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Cavaco Silva, Francisco Pinto Balsemão, Rui Tavares, Ricardo Sá Fernandes, Mariana Mortágua e Miguel Sousa Tavares.

Os principais suspeitos do processo são acusados de liderar e recrutar elementos para uma organização terrorista.

A acusação abrange quatro arguidos em prisão preventiva e outros cinco suspeitos. O caso é apontado como a primeira acusação a um grupo terrorista exclusivamente português desde o processo das FP-25.

O Movimento Armilar Lusitano foi desmantelado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária em junho de 2025, numa operação que levou à detenção dos principais responsáveis.

Cabe agora aos tribunais avaliar a responsabilidade criminal dos arguidos.