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O militante do Chega Ivo Faria, em prisão preventiva desde o fim de semana passado por suspeitas de ter abusado sexualmente da própria filha de cinco anos, já tinha como alvo outra menina, dois anos mais nova.
Com apenas 27 anos, Ivo Faria, que chegou a ser candidato pelo partido à União de Freguesias de Antime e Silvares S. Clemente, em Fafe, nas últimas autárquicas, era há muito consumidor e comprador de pornografia infantil e foi isso que o traiu: as próprias plataformas (Discord e Instagram Messenger) denunciaram-no à NCMEC (National Center for Missing & Exploited Children) que, por sua vez, comunicou o caso às autoridades portuguesas.
Mas foi a publicação da foto de uma menor, que aparentava ter cerca de seis anos, que colocou imediatamente a PJ de Braga no seu encalce. Unir as peças não foi difícil. Faria confidenciara com detalhe a outro frequentador de um desses espaços digitais como, durante dois anos, mantivera atos sexuais com a filha e que só os interrompera porque esta o denunciara à mãe, o que levou à separação do casal, mas sem que à progenitora ocorresse denunciar o caso. A menina, aliás, passou a viver com a avó paterna, debaixo do mesmo teto do abusador. O susto, no entanto, foi curto. No decorrer da mesma conversa, Faria revelava o seu modus operandi. Tinha agora como alvo a filha da atual namorada e gabava-se: «Vou tentar ter sexo com as duas».
Quando os investigadores fecharam o cerco, todas as peças batiam certo. A namorada de Faria não só reconheceu as fotos da filha bebé, completamente nua e a mamar no seu peito, que circularam na plataforma digital, como conseguiu decifrar os desejos mais obscuros do companheiro: «Dizia-me que gostaria de ter relações sexuais comigo e com a minha filha enquanto ela dormisse». Também a filha do suspeito foi ouvida e, à sua maneira, acabou por confirmar e descrever os abusos de que fora alvo.
Faria, estafeta da Pizza Hut, acabou detido e, perante a juíza de instrução criminal, negou as evidências, apenas admitindo o consumo de pornografia. Ficou preso preventivamente, indiciado por crimes de abuso sexual de crianças agravado, devassa da vida privada e pornografia com menores.
O Chega foi célere e expulsou-o. Mas este é já o quinto caso de abusos sexuais de menores que bate à porta do partido, fundado há quase sete anos e que teve um crescimento desenfreado, sem conseguir apertar as malhas no recrutamento dos militantes.
Nuno Pardal Ribeiro é outros dos casos e já se encontra em julgamento. O antigo deputado municipal em Lisboa responde por prostituição de menores e o seu passado criminal está recheado de crimes de outra natureza: roubo à mão armada e burla. Ribeiro era, à época, conselheiro nacional do partido e fora indicado pelo Chega para a Comissão das Crianças.
Também Nuno Pardal Ribeiro, candidato do Chega à Câmara de Arruda Vinhos em 2021, já era reincidente. Professor numa escola básica de Alenquer, foi detido nesse ano por suspeita de abuso sexual de uma aluna de 14 anos, mas o caso não era isolado. Ribeiro utilizava o seu ascendente para se aproveitar das alunas e manter o silêncio. O novo crime ficou registado em vídeo: por baixo de uma mesa da sala de aulas, o professor apalpava uma aluna.
Também Rui Pedro Moreira, candidato autárquico do Chega, aficionado tauromático e professor de equitação, terá abusado de dois alunos de 11 e 14 anos, entre abril e novembro de 2025. As autoridades suspeitam, no entanto, que possa haver mais vítimas.
Há ainda o caso do deputado Pedro Pessanha, suspeito de ter violado uma menor, em 2023. O deputado sempre negou as acusações e o inquérito acabou por ser arquivado.