"Mereço ser enforcado". Homem confessa ter matado o filho com um tiro de caçadeira em Moura

O homem de 68 anos terá confessado o crime para ilibar o filho mais novo, também constituído arguido pela morte do irmão.
"Mereço ser enforcado". Homem confessa ter matado o filho com um tiro de caçadeira em Moura

"Um pai que mata um filho não merece ser preso, merece ser enforcado". Foi esta a frase que o arguido, de 68 anos, julgado no Tribunal de Beja por matar um dos filhos, disse ao juíz que o ouvia. Na audiência, confessou a autoria do crime, numa tentativa de ilibar o outro arguido, também seu filho, mas mostrando arrependimento sobre o disparo de caçadeira fatal.

Conforme relata, na manhã do dia 10 de junho de 2025, o pai terá chegado ao acampamento onde residia com a família, em Baldio das Ferrarias da Amareleja, Moura, embriagado. Num ato irrefletido, segundo ele, apontou a caçadeira a todos os familiares.

Na primeira sessão do julgamento, o homem terá argumentado que "não tinha noção do que estava a fazer" devido ao estado de embriaguez, citado pelo Correio da Manhã.

Foi o seu filho mais velho, com 45 anos, a vítima mortal, que se colocou à frente dos familiares, "puxou os canos da espingarda" para a retirar da posse do pai, mas, com um "safanão", fez com que disparasse, acertando-lhe na zona do abdómen.

Quando questionado sobre onde estaria o outro filho no momento do disparo, o homem afirmou estar no "curral dos cavalos", acompanhado de outro familiar, garantindo não ter sido ele a ir buscar a caçadeira nem a carregá-la - isto porque, de acordo com a acusação do Ministério Público, foi o irmão constituído arguido que, após uma discussão com o irmão falecido sobre um cavalo, teria ido buscar a espingarda e dito ao pai para disparar sobre o filho mais velho.

Embora tenha afirmado que, antes do possível incidente, a família nunca tinha tido problemas, mais tarde assumiu que os dois filhos estavam efetivamente "a discutir por causa de um cavalo".

Da parte do filho constituído arguido, de 35 anos, garante não ter discutido com o irmão, nem ter dado a arma ao pai. "Nem lá estava", sublinhou, condizendo com o testemunho do pai. Afirmou ainda que se dirigiu ao local onde estava a família apenas após ouvir o disparo e que tentou socorrer o irmão quando o viu caído. "Estou inocente, nunca fiz mal a ninguém", sublinhou, negando ter fugido após o crime.

A acusação do Ministério Público considera que, ainda que o irmão mais novo não tenha disparado sobre o irmão, "praticou, em repartição de tarefas, uma parte necessária e decisiva da execução do plano, uma vez que municiou a espingarda e a entregou ao arguido".

O homem de 68 anos está em prisão preventiva desde o dia 13 de junho de 2025. Já o filho mais novo está a cumprir a mesma medida de coação desde o dia 7 de agosto do mesmo ano.