Menos casos de gripe e internamentos em UCI, mas mortalidade continua acima do esperado

Na semana em análise, foram identificados 753 casos positivos de gripe, uma redução de 587 casos face à primeira semana de janeiro, quando se registaram 1.340 infeções
Menos casos de gripe e internamentos em UCI, mas mortalidade continua acima do esperado

Portugal registou, na última semana, uma diminuição dos casos de gripe e dos internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI), mas a mortalidade por todas as causas mantém-se acima do esperado-

De acordo com o Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe e Outros Vírus Respiratórios do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), relativo à semana de 5 a 11 de janeiro, foram identificados excessos de mortalidade em todas as regiões de Portugal continental, em ambos os sexos e nos grupos etários com mais de 65 anos.

Desde o início da época gripal, a 29 de setembro de 2025, os laboratórios da Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe e Outros Vírus Respiratórios notificaram 66.524 casos de infeção respiratória, dos quais 13.244 confirmados como gripe.

Na semana em análise, foram identificados 753 casos positivos de gripe, uma redução de 587 casos face à primeira semana de janeiro, quando se registaram 1.340 infeções.

A proporção de casos de gripe em UCI desceu para 9,2%, face aos 19,1% da semana anterior. Foram reportados 11 casos de gripe por 13 unidades de cuidados intensivos: quatro doentes tinham 65 ou mais anos, cinco entre 55 e 64 anos e dois entre 45 e 54 anos.

Dos 11 casos, 10 apresentavam doença crónica subjacente e todos tinham recomendação para vacinação contra a gripe sazonal, embora apenas um estivesse efetivamente vacinado.

Desde o início da época, as UCI notificaram 130 casos de gripe, tendo sido identificado o vírus influenza A(H1) em oito casos (6,2%), A(H3) em 13 (10%) e influenza A não subtipado em 109 casos (83,8%).

A maioria dos doentes internados em cuidados intensivos apresentava doença crónica subjacente (86,9%), e 93,1% tinham indicação para vacinação, embora apenas 22,1% estivessem vacinados.

A taxa de incidência das infeções respiratórias agudas graves (SARI) mantém-se estável, com 80 admissões hospitalares registadas nas Unidades Locais de Saúde que reportaram dados, correspondendo a 10,3 casos por 100 mil habitantes.

O INSA sublinha que as taxas mais elevadas de SARI continuam a verificar-se no grupo etário dos 65 ou mais anos, enquanto o grupo dos 0 aos 4 anos apresenta uma tendência decrescente.

Desde o início da época gripal, foram ainda identificados 4.866 casos de outros agentes respiratórios, sendo que, na última semana, foram detetados 300 casos, com destaque para o vírus sincicial respiratório, o mais frequentemente identificado.