quinta-feira, 14 mai. 2026

“Está tudo bem, tem calma”, disse a mãe entre os dois tiros. Menor que a matou em Vagos é condenado a três anos de internamento

Tribunal concluiu que o jovem de 14 anos não revelou arrependimento e apresenta elevado risco de reincidência. Juízes consideraram necessária uma intervenção prolongada.
“Está tudo bem, tem calma”, disse a mãe entre os dois tiros. Menor que a matou em Vagos é condenado a três anos de internamento

O menor acusado de matar a mãe em Vagos, em outubro de 2025, foi condenado esta sexta-feira a três anos de internamento em centro educativo, em regime fechado, a medida tutelar educativa mais gravosa prevista na lei.

A decisão foi anunciada pelo Tribunal de Família e Menores de Aveiro, no âmbito do Processo Tutelar Educativo instaurado pelo Ministério Público. O jovem, de 14 anos, acompanhou a leitura do acórdão numa sala separada da principal.

Durante a leitura da decisão, o tribunal justificou a necessidade de uma intervenção prolongada, considerando que o menor não demonstrou arrependimento pelos factos praticados.

Os juízes entenderam ainda que o jovem “não tem consciência clara da sua conduta, nem da sua gravidade extrema”, sublinhando igualmente existir um risco elevado de reincidência.

Segundo o coletivo, ficou provado que o menor efetuou dois disparos. Entre os tiros, a vítima, Susana Gravato, ainda se dirigiu ao filho e disse: “Está tudo bem, tem calma”. Mas o jovem voltou a atirar e o segundo disparo acabou por ser fatal.

O tribunal descreveu a família como funcional, mas apontou ao jovem traços de insensibilidade afetiva e egocentrismo.

Os magistrados explicaram também que não foi ponderado o regresso do menor ao ambiente familiar, quer pelo forte alarme social provocado pelo caso, quer pela difícil interação existente no seio da família.

Na fase final do julgamento, o Ministério Público já tinha pedido a aplicação da medida máxima de internamento durante três anos, pretensão agora acolhida pelo tribunal.

A advogada do jovem saiu anteriormente das sessões sem prestar declarações aos jornalistas. Já o pai do menor não apresentou prova nem alegações sobre a medida proposta.

O caso remonta a 21 de outubro de 2025, quando Susana Gravato, então vereadora da Câmara de Vagos, foi encontrada baleada no interior da habitação da família, na Gafanha da Vagueira.

O alerta foi dado pelo marido da vítima, que chamou os meios de socorro. Apesar das tentativas de reanimação, o óbito foi declarado no local pela equipa médica de emergência.

Menos de 24 horas depois do crime, a Polícia Judiciária identificou o filho da autarca como principal e único suspeito da morte.

[notícia atualizada com a leitura da sentença]