Megaoperação da PJ ataca polvo do poder autárquico do PS

Visivelmente abalado, José Luís Carneiro afasta PS da megaoperação contra a corrupção e promete ‘tudo fazer’ para apurar responsabilidades.
Megaoperação da PJ ataca polvo do poder autárquico do PS

A Polícia Judiciária pôs esta quinta-feira em marcha uma das maiores operações do ano, avançou a CNN Portugal, com mais de 300 inspetores na rua, numa investigação da unidade de combate à corrupção que visa um alegado polvo montado em torno do poder autárquico do PS – por crimes como prevaricação, tráfico de influência ou recebimento indevido de vantagem, relacionados com a contratação de militantes e a adjudicação de serviços a empresas de socialistas, por ajuste direto, que ascenderam a mais de 800 mil euros só entre os anos de 2016 e 2022. No âmbito desta megaoperação foram detidas cinco pessoas e constituídas arguidas mais de três dezenas (37 ao todo).

Entre os cinco detidos está Duarte Moral, assessor do PS e de António Costa quando este foi ministro da Administração Interna, e a mulher.

No epicentro está a junta de freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, que era liderada pelo socialista Miguel Coelho – um dos visados na operação de buscas. Contratou, em Mafra, uma rede de nove elementos ex-candidatos do PS àquela autarquia, com Sérgio Santos à cabeça, enquanto diretor do departamento de compras da junta lisboeta. E este, com Miguel Coelho, passaram a contratar para serviços 19 empresas também da zona de Mafra e ligadas a militantes socialistas por valores que chegaram a 800 mil euros.

Uma das beneficiárias de contratos por ajustes diretos é a mulher de Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa e também próximo do atual líder do PS José Luís Carneiro na gestão da comunicação do partido. A mulher de Duarte Moral celebrou contratos com a junta de Santa Maria Maior, por ajuste direto, na ordem dos 70 mil euros, entre 2020 e 2022. E também o próprio Duarte Moral teve ligações empresariais ao mesmo PS de Mafra nas autárquicas de 2021, com a venda de panfletos publicitários e consultadoria de comunicação, por mais de 10 mil euros, negócio que replicou por outras campanhas do PS no país.

Carneiro afasta PS da ‘Operação Imergente’

José Luís Carneiro já reagiu às buscas, garantindo que o partido não é visado nas diligências das autoridades e que tudo fará para que seja feita justiça. «Quero garantir que tudo farei para que a legalidade seja defendida e promovida em todos os níveis de responsabilidade do PS, seja a nível local, seja a nível nacional», disse o secretário-geral socialista, visivelmente abalado. 

O líder socialista disse também que, no âmbito das buscas que tiveram lugar na sede nacional do partido, as mesmas não visavam o partido. «Foi-nos transmitido que estas diligências não visam o PS», sublinhou, em linha com um comunicado que já tinha sido divulgado pelo partido na manhã de quinta-feira.

Carneiro insistiu na cooperação com as autoridades «para que todos os factos sejam cabalmente apurados» e que, perante a existência de crimes, os «responsáveis sejam responsabilizados pelos mesmos».

Quando questionado pelos jornalistas sobre a detenção do assessor Duarte Moral, Carneiro respondeu que não falou com qualquer visado. «Os factos conhecidos até agora são escassos», referindo ainda: «A informação que tenho é muito escassa».

O mesmo argumento foi utilizado quando questionado sobre a suspensão de mandatos, tal como aconteceu com Miguel Coelho, envolvido neste caso, que suspendeu o mandato enquanto deputado da Assembleia Municipal de Lisboa.  

Já em relação ao  timming das buscas, o líder socialista recusou alimentar polémicas. «As autoridades judiciárias devem desenvolver o trabalho, como sempre disse, no momento em que consideram oportuno»., disse José Luís Carneiro.

A ‘Operação Imergente’ envolveu centenas de elementos das autoridades judicias e de investigação.