Médico com doença quer criar em Portugal associação dedicada a tumores do fígado

A ideia de criar uma associação de doentes dedicada a tumores primários do fígado e vias biliares surgiu por reconhecer que "existem muitas lacunas a preencher", afirma o médico moçambicano.
Médico com doença quer criar em Portugal associação dedicada a tumores do fígado

O médico moçambicano Hipólito Mussagy quer criar uma associação de doentes para ajudar quem sofre de carcinoma hepatocelular, "doença silenciosa considerada quase incurável" e que o próprio sofreu, encontrando-se em vigilância no Hospital São João, no Porto.

Ainda não tem nome para o projeto e a página oficial nas redes sociais está em construção, mas já recebeu 'feedback' de cerca de uma dezena de outros doentes que querem juntar-se à ideia, bem como o "empurrão", como o próprio descreveu, da Sociedade Portuguesa de Oncologia e do serviço de Oncologia da Unidade Local de Saúde São João (ULSSJ).

"Para já são doentes sobretudo desta zona (Porto) e arredores, mas planeamos fazer uma divulgação grande e claro que o projeto é para ser nacional e incluir toda a gente", antecipou Hipólito Mussagy, de 38 anos.

Incentivado por especialistas moçambicanos, procurou Portugal há três anos após sentir uma dor muito aguda que associou ao diagnóstico anterior feito em Moçambique de hepatomegalia (vulgarmente conhecido como fígado grande).

À conversa com a Lusa na data em que se assinala o Dia Mundial do Colangiocarcinoma, Hipólito Mussagy, clínico geral de formação e atualmente em processo de validação para exercer Medicina em Portugal, contou que a ideia de criar uma associação de doentes dedicada a tumores primários do fígado e vias biliares, incluindo o Colangiocarcinoma e Carcinoma Hepatocelular, surgiu por reconhecer que "existem muitas lacunas a preencher".

"Basicamente a associação pretende amparar doentes que têm uma condição não curável ou com hipóteses de cura muito baixas. Em alguns casos o tratamento é somente paliativo e os doentes podem sentir-se muito sós, podem sentir-se isolados, podem sentir-se sem informação, sem conhecimento. Podem sentir que nada está a ser feito para trazer novas ideias de tratamento, de cuidados. Podem não ter quem cuide deles...", constatou.

A taxa de sobrevivência desta doença é considerada baixa, sendo que apenas 9% dos doentes estarão vivos cinco anos após o diagnóstico.